Como é o vosso Paraíso? O meu tem forma de Biblioteca.
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04
Fev 12
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Li o livro da Natália Couto Azevedo em pouco mais de duas horas. Após uma semana de trabalho exaustivo e com poucas horas de sono, achei que O Reino dos Sonhos seria a leitura indicada. A sinopse e a capa tão cuidadosamente trabalhada sugeriam-me que aquela leitura seria leve. Não me enganei: o livro é delicado, escrito de uma forma tão solta que parece que a personagem principal está sentada ao nosso lado, relatando as suas aventuras.

 A Cidade de Cristal – primeiro volume – é cheio de descrições e detalhes que nos transportam para dentro de paisagens belíssimas. Da mesma forma que Elorá, a protagonista, pinta nas suas telas aquilo que sonha, a Natália foi exímia em percorrer cada pedaço do grande Reino feérico. Mas não só aí é possível imaginar. As personagens foram todas bem trabalhadas, tornando-se possível, ao leitor, fechar os olhos e ver o Gabriel, a tia Virgínia, a Leila, a professora Íris… Eu gosto de descrições, porém não consigo ficar muito tempo concentrada quando essas narrações se tornam demasiado prolongadas. A autora foi eficaz, dando o suficiente para que o leitor possa viajar às claras mas sem se tornar aborrecida.

Sonhar: o foco principal do romance. E só acreditando realmente no poder dos sonhos (literalmente ou não) seria possível escrever algo tão verdadeiro. A Natália colocou nesta sua história uma mensagem tão bonita que eu acabei o livro acreditando que os sonhos são todos possíveis. E isso é bom. É bom ler um livro que, de uma forma ou de outra, nos mostra que a vida também é feita de sonhos.

Gostei de Elorá, uma rapariga que, ao início, me pareceu um pouco egocêntrica e mimada (é sempre ótimo fugir ao cliché de protagonistas perfeitas) mas que, ao longo da trama, vai crescendo de uma forma saudável e verosímil e que me roubou alguns sorrisos com as suas respostas irónicas. Nas últimas páginas, devorei as letras e fiquei triste quando vi "Fim do primeiro livro". Quero O Labirinto das Almas!

 

Parabéns à Natália.

 

Nota: 8 fadas

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09
Jan 12
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Olá, meus queridos amigos.

É verdade que o blog tem estado muito parado. Infelizmente, vai continuar assim. Algumas coisas serão publicadas, de vez em quando, mas a agenda a que, antes, eu obedecia, não existirá mais. Este ano começou com muito trabalho, tanto profissional, como no mestrado e na Literatura. Estes meses ao vosso lado foram muito bons. Foi um enorme prazer divulgar autores que admiro, entrevistar colegas de profissão-coração e sugerir leituras. Em 2012 por cá andaremos, embora de forma mais escassa.

 

Desejo a todos muitas leituras, muitas palavras nos dedos e, principalmente, que sejam felizes.

Um beijo,

Valentina.


31
Dez 11
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Que 2012 seja o melhor ano das vossas vidas!


30
Dez 11
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Lembro-me que, a 31 de Dezembro de 2010, a minha tia disse-me: este será o teu ano. E foi. Sinceramente, nunca pensei conseguir tanto em tão pouco tempo. E, ao mesmo tempo que estou felicíssima, sinto-me orgulhosa. Estou cansada, confesso que estou, mas nunca me senti tão realizada.

Foram 17 contos para a Benfazeja, 7 para a Revista JA, outros 7 para a Infektion Magazine, 3 para a Magazon, 1 para a Revista 1000 Universos do blog Café de Ontem. Fui selecionada para 12 antologias: Cursed City; VII Demónios - Inveja, Gula, Avareza, Preguiça, Ira, Soberba; Le Monde Bizarre; A polémica vida do amor; Eu acredito; PsyVamp e Lugares Distantes. Fui convidada a participar em duas antologias: E se Al Capone fosse mulher?; a outra ainda não posso revelar. Recebi duas menções honrosas no Concurso Literário de Santa Maria Maior e no Concurso Internacional de Contos Vicente Cardoso. Lancei o Distúrbio, pela Estronho. Escrevi um novo romance - A Morte é uma Serial Killer - ainda sem Editora. Mantive este blog desde o dia 25 de Abril. Escrevi, para além de tudo o que foi dito até agora, 156 contos.

Realizei os meus sonhos em um ano e, no entanto, sei que a minha vida começa amanhã. Se 2011 foi um ano de sucesso, 2012 será o ano das mudanças positivas.

 

 

E que o seja também para todos vocês.


29
Dez 11
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Lançamentos com autores já selecionados:

 

Coleção VII Demónios:

 

Le Monde Bizarre - O circo dos horrores

 

 

 

História Fantástica do Brasil

 

 

 

Quando o Saci encontra os Mestres do Terror

 

 

 

E, agora, as antologias que estão em processo de seleção:

 

Livros, sexo e rock and roll

 

 

 

Brinquedos... eles matam!

 

 

 

Suburbia - os filhos da Guerra

 

 

 

E se Al Capone fosse mulher?

 

 

 

Série Terrir

 

 

 

Malditas - as casas têm alma

 

 

 

Mundo de Fantas

 

 

 

Antologias ainda sem regulamento...

 

Carros...eles matam!

 

 

 

Balé dos Enforcados

 

 

 

Romance de Lemos Milani: A Ascenção da casa dos Mortos

 

 

E mais....

 

  • "Cantando um Blues" de Isaac Soares de Souza. Tudo sobre a história do Blues e sua influência sobre a música brasileira.
  • O primeiro romance de Adriano Siqueira;
  • "Anacrônicas 2", de Ana Cristina Rodrigues
  • O segundo volume de Livraria Limítrofe, de Alfer Medeiros (Selo Fantas);
  • O segundo volume de O Reino dos Sonhos, de Natália Couto Azevedo (Selo Fantas);
  • "Gisele e as flores de pano", romance juvenil de M. D. Amado (Selo Fantas);
  • "Histórias de Fantasia", romance de Celly Borges (Selo Fantas);
  • "Gehenah", romance de Ghad Arddhu;
  • Projeto Lodo em parceria com a Revista Lama;
  • Antologia "Noturna", de fantasia urbana, organizada por Eric Novello;
  • Antologia "Mil e uma mortes", organizada por Amanda Reznor;
  • Antologia "Além da última estação", organizada por Paulo Fodra, que falará sobre o inusitado que ocorre diariamente nas estações e composições do metrô;
  • Antologia "TESOURO, A ORIGEM", onde cada autor deverá descobrir de onde veio um misterioso tesouro encontrado ao acaso por um esportista em apuros;
  • Antologia "LIVROS"... o que aconteceria se eles fossem proibidos? (nos moldes de "1984");
  • Coleção de Bolso da Editora Estronho, com volumes contendo novelas e pequenos romances de vários autores nacionais;
  • Coleção "Foufos" de livros infantis;
  • e outras antologias e livros solo ainda em negociação, que deveremos anunciar nos próximos meses.
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24
Dez 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Esqueçam a crise, os problemas, o amanhã, o desemprego, a falta de dinheiro para a realização dos sonhos, os exames da faculdade, o trabalho chato, as más notícias, a vizinha cruel, o namorado ciumento, o computador estragado, a inundação na cozinha, as obras na casa ao lado, o cão que fugiu... Esqueçam tudo. É Natal. Aproveitem. Sejam felizes estes dias: beijem, abracem, cantem, dancem. Estejam juntos mesmo que sejam só dois ou, então, a casa não receba os cento e tal familiares. Vivam o Natal em paz, em harmonia e com amor.

 

Feliz Natal, amigos e leitores.

Gosto-vos a todos.


23
Dez 11
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Após a Segunda Guerra Mundial as nações envolvidas não sabiam o que fazer com um grande problema que lhes restou: homens, mulheres e animais que antes e durante o conflito foram tratados como meros objetos de pesquisa. As mais diversas atrocidades eram escondidas sob o tapete de cada país como se os líderes de outras nações não soubessem... mas sabiam.

 

Quando os ânimos começaram a se acalmar e a vida lentamente voltou ao seu rumo, ao seu cotidiano, uma cúpula de homens poderosos se reuniu secretamente para tentar responder a pergunta: o que fazer com os filhos da guerra?

 

Deveriam simplesmente matá-los? Essa era a opinião de uma parte dos governantes. Mas do outro lado, líderes desconfiados não sabiam se o interesse em acabar com as provas vivas de todas aquelas atrocidades, escondia algo pior. E de certa forma, manter essas provas ao alcance de todos os envolvidos, fazia parte da política do “Se eu não contar o seu segredo, você não conta o meu... mas se fizer algo, vamos juntos para a fogueira”.

 

Depois de quase duas semanas de discussão, nasceu o Projeto Suburbia, que consistia em confinar todas as pessoas e animais utilizados em todo e qualquer tipo de experiência em nome da guerra, em um local específico, inclusive para poder continuar o monitoramento de algumas pesquisas, mesmo que à distância.

 

Isolados do resto do mundo e sempre sob vigília, recebiam apoio de todas as nações envolvidas, mas eram proibidos de abandonar a cidade construída para escondê-los. Ironicamente, uma estrutura provida de muitos confortos que não podiam ser aproveitados por pelo menos metade de seus habitantes. Quem tentasse fugir receberia como punição a morte imediata, o que, em alguns casos poderia ser considerado um presente.

 

As piores vítimas, contaminadas ou torturadas a níveis extremos, foram sentenciadas a viver nos subterrâneos de Suburbia. E muitos deles poderiam ser chamados apenas de seres, pois de humanos não lhes restavam quase nada.

 

Suicídios eram comuns entre os moradores, porém muitos sonhavam com dias de liberdade, movidos por uma falsa promessa de que estudos estariam sendo feitos para curá-los... e também haviam aqueles que só pensavam em vingança.

 

Recebiam alimentos e todo tipo de suprimentos através de aviões das forças aéreas dessa bizarra aliança da vergonha mundial. Pacotes eram jogados em voos rasantes em um campo reservado, próximo a uma grande muralha de pedra que fazia as vezes de torre de segurança na parte sul da cidade. No alto dessa montanha devidamente camuflada, homens ficavam de prontidão, com ordens para matar qualquer um que tentasse fugir. Não só ali, mas no entorno de toda a área de Suburbia. Casamatas, trincheiras e até um quartel general disfarçado de vila ao longo da estrada mais próxima, que ficava a cerca de 20 km. Todo tipo de artifício era utilizado para esconder o depósito de lixo humano que se formou no meio daquele deserto, conhecido por pouquíssimos generais de guerra e poucas centenas de soldados que não seriam loucos o suficiente para entregar sua localização.

 

As perguntas que ficam aos autores que por ventura queiram contar a história de Suburbia são: o que aconteceria se alguém conseguisse fugir desse inferno? E se algum cidadão fosse parar por engano em tal lugar? Como é a vida dentro de Suburbia? Existem crimes comuns como em toda cidade? Monstros... assassinos... criaturas estranhas, resultado de experiências inimagináveis? Boatos dão conta de que alguns conseguiram escapar pelos subterrâneos. Mas para onde foram? E se existiram mesmo essas rotas de fuga, não teria sido possível que outros seres viessem desses lugares para explorar a superfície?

 

Existem sobreviventes de Suburbia? Você... sim, você... seria um deles?

 


Inscrições se encerram no dia 01 de junho de 2012"

 

 

 

Regulamento

 


22
Dez 11
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Um livro. Sete contos de fadas para adultos. Novos contos de fadas, não releituras dos clássicos, brincando com seus elementos tradicionais: príncipes e princesas, feiticeiras (boas e más), maldições, bosques misteriosos, feras falantes. Mas com uma roupagem adulta, sem censura nem maniqueísmo. Nada de lutas do bem contra o mal: a dualidade está presente em todos e é dentro de cada um de nós que a grande batalha ocorre. Estas narrativas procuram resgatar a essência dos contos de fadas originais, contados ao pé do fogo numa época em que não havia divisão entre "histórias para adultos" e "histórias para crianças".

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19
Dez 11
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- Marcela. Em que lhe posso ser útil?

O coração subiu pela traqueia e estacionou na boca, impedindo a língua de responder. Três gotas de suor derraparam pelo escorrega do pescoço e empaparam a camisa branca. Desligou a chamada e sentou-se, fazendo exercícios de respiração que nunca acalmavam e só relembravam a sua nulidade enquanto homem. Limpou o copo, encheu-o de cerveja, remoeu um punhado de amendoins, passou pelos canais de televisão duas vezes, apagou a luz e escolheu um canto escuro da sala. Varreu-o e sentou-se, cruzando as pernas e marcando o número. Fechou os olhos e esperou.

- Marcela. Em que lhe posso ser útil?

Concentrou-se na voz: feminina, irrequieta, borbulhante - uma voz que, se pudesse beber, seria champanhe e faria cócegas na sua garganta. Desenhou o seu rosto numa só pincelada imaginativa. Tinha cabelo castanho claro, olhos amendoados num tom escuro, pele branca. Vestia o 40 de calças, um L de blusa, e os seios redondos tinham dificuldade em encontrar um soutien decente. Gostava de roupa interior sem grandes folhos ou dificuldades, tomava banho todos os dias, e andava sempre cheirosa. Roía as unhas, tinha uns dentes brancos e ainda não dera com o jeito de encontrar a forma perfeita das suas sobrancelhas. Sim, fazia a depilação em casa.

- Marcela, depilas-te toda?

Um silêncio do outro lado recebeu-o sem meiguice. Ouviu-se um estalo com a língua, ou talvez a bola de uma chiclete que rebentava e, por fim, ela respondeu.

- Sim, querido.

Ele abriu os olhos, limpou o copo, bebeu um pouco da cerveja, comeu um amendoim. Desligou a chamada. Na sua cara: a desilusão. Acendeu as luzes, espreitou a varanda, suspirou, acendeu a televisão, passou três vezes pelos canais. Depois, foi até ao quarto, esticou-se na cama, fechou os olhos, marcou um número e esperou.

- Sandrinha ao seu dispor.

Mel. Uma voz de mel. Daquelas que escorre, que emporcalha, que deixa nódoa. Cabelos pretos, pele chocolate, boca de morango, uns olhos profundos, cheiro a caramelo. Magra, pouco alta, rabo empinado, seios pequenos. Provavelmente um piercing no umbigo, três sinais na coxa e uma tatuagem ao fundo das costas. Uma cicatriz no braço, uma pulseira no pé esquerdo, um colar com um coração ao pescoço. Orelhas mal lavadas, dentes tortos e uma barriga bem definida.

- Sandrinha, depilas-te toda?

- Não, querido.

As pálpebras mantiveram-se fechadas e um sorriso aflorou-se na sua boca. Suspirou como quem bebe o ar pela última vez. Viu Sandrinha na sua cama - nua e fêmea - pernas abertas, olhar guloso, suja por outros homens, mastigada pela vida: puta. E ele, animal, manchando-se nela, borrando a sua pele imaculada na saliva dela, lambendo as suas bactérias, o azedo da sua boca, o avinagrado da sua gruta, o esgoto da sua alma. No lânguido gozo da sua imaginação, veio o orgasmo, em segundos, quente e espasmódico.

- Quer companhia, querido?

Beeeeeeeeeeeeep. Fim da chamada.

O homem lavou-se, escovou os dentes, vestiu o pijama escrupulosamente dobrado, esticou os lençóis, ajeitou as almofadas, expulsou poeiras transparentes da cama, desinfectou as mãos e deitou-se. Deixou a luz acesa, inspeccionou o tecto à procura de rastejantes, sossegou o corpo e adormeceu.

 

Publicado, originalmente, na Revista Benfazeja.

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17
Dez 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

23.

 

Velha!


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A Menina da Biblioteca também escreve aqui:
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