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30
Mai 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

"À bacia de água turva juntava-se um pano cinzento que deveria ser branco. Estavam estrategicamente colocados em cima da mesa-de-cabeceira, ao lado da cama. Um frasco de perfume encontrava-se guardado na gaveta juntamente com a escova de cabelo. Eram esses os objectos imprescindíveis para Sally. Ela ajeita o corpete ao corpo, colocando os seios redondos e macios à disposição de quem os quisesse cobiçar. Amacia as madeixas de cabelo ruivo com a ponta do dedo e sacode a saia das poeiras que se arrastavam pelo chão. Estava pronta para mais uma noite. Sai do quarto e desce as escadas (...)

 

(...) O velho Bob saliva com a visão diante de si. Com mãos desajeitadas desfaz-se das cuecas encardidas e salta para cima da prostituta. O processo é rápido. Nada de beijos ou contactos de pele ou olhares que penetram outros olhares (...)

 

(...) No cemitério, a cem metros dos fundos da igreja, ouve-se um estalido suave. Nada de suspeito. Poderia ser um cachorro que tropeçara numa cruz ou um velho galho que caíra sobre o mármore. Ou um morto que abre o túmulo. Que tontice, Sally. Não penses nessas coisas (...)

 

(...) Sally agora entendia que o som vinha do vento que trespassava as asas abertas, pelas pequenas saliências azuis que desenhavam figuras sinistras. Seriam veias? E se sim, que espécie de animal seria aquele? Esquecendo rapidamente as perguntas, o bicho pousa diante da janela do quarto de Sally que estava já petrificada pelo medo (...)

 

(...) Suavemente, quase que deslizando pelo chão, Sally aproxima-se e guincha. O olhar de desejo do homem transforma-se em medo - um medo líquido e palpável - e os olhos de Sally tornam-se vermelhos. Os dentes caninos crescem, o corpo ganha escamas azuis e uma viscosidade nojenta. O gordo grita no silêncio da noite mas ninguém sabe que é um esgar de pânico (...)

 

(...) No chão há uma mistura de vermelho, castanho e bege. No ar, um cheiro a merda e ferrugem. Sally - ou o diabo em que ela se transformara - gatinha pelo corpo do morto como um bicho que procura o alimento no esgoto (...)"

 

 

Para ler o conto completo e outros 20 excelentes contos:

 - Livraria Arte & Letra Rua Presidente Taunay, 40 - dentro do Lucca Cafés Especiais - Batel

- Loja Estronha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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