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02
Jun 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

 

Antologia Lugares Distantes

 

 

Pensei muito antes de fazer esta resenha. Primeiro porque eu entro na antologia; segundo porque não sei se será certo criticar (construtivamente) o trabalho dos meus colegas. Mas, como eu também gosto de saber a opinião - boa ou má - dos meus textos, decidi resenhar a obra.

Bom, para começar, a antologia, organizada por Daniel Calvacante e Jonayhan Cordeiro Cavava, está com uma imagem bonita: a capa é apelativa, os contos estão bem organizados, o tamanho da letra está ótimo. Porém, há certos erros de paginação, como por exemplo, a separação silábica incorrecta na mudança de parágrafo. Claro que não será isso que vai impedir a leitura e tenho a certeza de que, como primeira antologia organizada pela Infinitum, houve a tentativa de fazer tudo na perfeição.

Agora vamos aos contos. Todos, à sua maneira, estão positivos. Decidi não resenhar alguns porque não chamaram a minha atenção. Com isto não quero dizer que estejam maus. Simplesmente, enquanto leitora, não me atraíram.

 

- O caso da fera de 100 olhos, de Willian Marinho.

A ideia está interessante e o conto bem escrito. No entanto, quando eu estava entusiasmada com a evolução da história, ela acaba. Se tivesse sido mais desenvolvido e detalhado daria um excelente conto.

 

- Não, não era…, de Jonathan Cordeiro Cavaca.

Aqui está um conto que, mesmo pequeno, funcionou muito bem. A história resume-se a um diálogo, o que, na minha opinião, não é muito fácil de fazer e, ainda assim, prender o leitor. A dúvida manteve-se até ao fim e o desfecho foi inesperado.

 

- Gato no muro, de Joe Lima.

Gostei por dois motivos: a originalidade e a capacidade de manter o suspense até ao limite. O último parágrafo diálogo-pensamento-diálogo terminou a história da melhor maneira.

 

- Aprisionada, de Jorge Eduardo Rodrigues Rosa.

Provavelmente foi o conto que mais me interessou. Com uma escrita delicada, boas metáforas e descrições que apelam à sensibilidade do leitor.

 

- A casa, de Jussara Gonzo.

Uma salva de palmas para a imaginação da autora. Confesso que, durante a leitura, dei por mim a perguntar Onde está o terror, o mistério?. Mas, depois, fiquei de boca aberta com o desenlace.

 

- O vampiro da floresta, de Bruno Resende Ramos

Interessante a ideia. Não sou fã de índios mas este conseguiu prender a minha atenção. Apenas um apontamento: ao longo da trama, o autor, certamente na tentativa de querer tornar a história mais real, abusou de vocábulos indígenas o que fazia com que andássemos para trás e para a frente para sabermos as definições. Se calhar, se as “traduções” estivessem no rodapé das próprias páginas esta questão nem se colocaria. Houve alturas em que deixei passar as palavras e não fui ao glossário. Mas, de qualquer forma, o conteúdo está muito bem conseguido.

 

Aos restantes contos darei uma nova leitura. Às vezes não gosto de uma coisa e, mais tarde, o sentimento muda.

 

Para os interessados: Lugares Estranhos.

 

Se houver por aí quem tenha lido o e-book, deixe o seu comentário.

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Obrigado pelo comentário. Sem querer parecer troca de gentilezas, mas eu gostei do seu conto Selvagens pelo choque da narrativa e pelo contraste entre a vida da mãe e das crianças.
Joe de Lima a 25 de Outubro de 2011 às 13:25

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