Como é o vosso Paraíso? O meu tem forma de Biblioteca.
OS MEUS LIVROS: |Distúrbio| |Antologias|

12
Jul 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Eu acho que existem dois tipos de escritores: os que falam com o público apenas por profissionalismo e os que adoram essa experiência de troca de ideias e sugestões por parte dos leitores. Ana Lúcia Merege enquadra-se na segunda categoria, para além de nos oferecer verdadeiros mundos mágicos nas suas histórias.

 

P.B: É autora de "O Castelo das Águias" (Editora Draco, 2011), "O Caçador" (Franco Editora, 2009) e o "O Jogo do Equilíbrio" (Fábrica do Livro, 2005). Qual lhe deu mais prazer em escrever?

A.L.M: Os livros são como os filhos. Cada qual é diferente do outro, porém são todos feitos com amor e igualmente queridos. Assim, não é possível dizer qual me deu mais prazer ao ser escrito. Posso apenas falar das diferenças em cada processo.

“O Caçador”, cuja primeira versão foi escrita em Portugal, serviu para eu exercitar minha escrita e me dar a consciência de que eu conseguia escrever algo relativamente extenso com começo, meio e fim – e que o resultado podia ser bom. Foi, também, uma forma de retomar contato com um imaginário e uma bagagem cultural trazidas da infância, uma vez que é uma releitura dos contos de fadas. Depois até escrevi um ensaio sobre isso, publicado pela Editora Claridade em 2010.

“O Jogo” é quase uma novela, um episódio da vida de Cyprien, um saltimbanco que é personagem recorrente em minha escrita. Foi escrito rápido e publicado sem edição (é um livro independente). Escrevê-lo foi também um jogo, um atirar de ideias no papel, um exercício de fluidez, já que se trata de uma história linear em que tudo acontece muito rápido. O cenário do Labirinto foi muito inspirado nas mourarias ibéricas e o personagem é meio pícaro, aliás um tipo com o qual gosto de trabalhar. Ainda pretendo escrever uma série inteira com ele no futuro.

“O Castelo das Águias” foi escrito rápido, porém lentamente reescrito com base na orientação dada pelo editor da Draco, Erick Santos. É um romance para jovens e adultos ambientado num cenário de fantasia medieval. Deu-me mais trabalho que os outros, porque era meu primeiro texto realmente profissional, pensado já para enfrentar o mercado e para atingir um determinado público leitor. Por outro lado, deu-me grande alegria, pois foi com esse trabalho que passei a me ver como uma escritora e não como alguém que tinha a escrita como hobby.  Posso dizer, assim, que “O Castelo das Águias” foi o grande divisor de águas da minha carreira literária, e que estabeleceu as bases de um universo fantástico dentro do qual ainda pretendo desenvolver muitos trabalhos.

 

 

P.B: Ser escritor exige disciplina e método. Escrever rouba-lhe tempo?

A.L.M: Muito. Daniel Pennac diz que o tempo de ler é um tempo roubado; o de escrever o é ainda mais, porque, de fato, exige maior interação e disciplina. Eu procuro não deixar que isso roube completamente o tempo que passo com minha família, mas em algumas ocasiões é difícil. Ainda mais trabalhando o dia todo na Biblioteca Nacional. Tento escrever nem que sejam umas linhas todos os dias, mas há períodos em que tenho de produzir mais que isso. Aí, acabo ficando meio “fora do ar”. Mas compenso como posso: quando viajamos, por exemplo, nem meus e-mails eu costumo ver, para estar o tempo todo com eles e curtir a experiência da viagem. Que, claro, acaba rendendo novas histórias.

 

P.B: Qual o tema, dentro da Literatura Fantástica, que mais lhe agrada?

A.L.M: Gosto de muita coisa, mas posso citar temas recorrentes: magos, xamãs e principalmente saltimbancos. Todos os meus trabalhos acabam tendo malabaristas, marioneteiros, músicos de rua, contadores de histórias... Gosto da forma como a Arte e a Magia se misturam, interagem e se transformam uma na outra. Tanto que a Escola de Magia que aparece em “O Castelo das Águias” tem magos e saltimbancos, é uma Escola de Artes Mágicas, e a narradora do livro é uma Mestra de Sagas, que carrega consigo todas aquelas histórias e mitos e os passa adiante.

 

P.B: Quais os projetos para 2012?

A.L.M: Bom, este ano ainda saem alguns contos meus em antologias e um livro juvenil, “Pão e Arte”, pela Escrita Fina. Comprometi-me a escrever mais alguns contos para editoras, inclusive um para a Editora Draco, que irá usar a Mitologia como temática. Também pretendo concluir outro juvenil chamado “O Povo Pequeno”. No início de 2012 vou respirar fundo e me dedicar a escrever a continuação de “O Castelo das Águias”, que deve ser publicada pela Draco em 2013. Além disso, vou alimentar com contos e outros textos o blog do livro para tentar aumentar o público leitor. Em suma, irei me empenhar o máximo possível nesse projeto – o que me dará muito trabalho, sim, mas também uma grande satisfação pessoal e profissional. Não tem nada que eu goste mais do que ouvir um jovem elogiar meu trabalho, ou, melhor ainda, ouvi-lo dizer que eu o incentivei a ler mais, a colocar suas ideias no papel. Isso já tem acontecido e quero que aconteça cada vez mais; é o que faz tudo valer a pena!

 

 

 

______________________________

Ana Lúcia Merege nasceu no Rio de Janeiro em 1969, sob o signo de Aquário. É descendente de fenícios do Líbano e do Algarve, tendo vivido por dois anos em Portugal. Considera-se antes de tudo uma escritora, mas é também bibliotecária - com mestrado em Ciência da Informação -, pesquisadora de Literatura, Mitologia e Folclore. Publicou os romances “O Castelo das Águias” (Draco, 2011), “O Caçador” (Franco, 2009) e “O Jogo do Equilíbrio” (Fábrica do Livro, 2005), além do ensaio “Os Contos de Fadas” (Claridade, 2010). É também autora de contos de ficção fantástica publicados em várias antologias e em sites dedicados ao gênero. Seu trabalho pode ser conhecido a partir do site http://www.estantemagica.blogspot.com  e do site dedicado ao “Castelo das Águias”: http://www.castelodasaguias.blogspot.com . E-mail: anamerege@gmail.com .

____________________________________________________


Contacto: paraisobiblioteca@sapo.pt | Twitter: @ValentinaSFerr
Adquire o teu exemplar do Distúrbio
E tu? Já és fã? ;)
A Menina da Biblioteca também escreve aqui:
"Estórias do Arco-da-Velha"