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Jul 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

- Deita-te aí mesmo e não digas mais nada - pediu, com a voz cravada de carinho.

- Temos cinco minutos - disse, olhando para o relógio de parede que marcava as 17h55.

- Amo-te em cinco minutos... - respondeu, baixando as calças e as cuecas, expondo a sua virilidade.

- Espero que não seja assim todos os dias - e as mãos rapidamente desapareceram com as calças de andar por casa.

- Não. Mas hoje preciso amar-te em cinco minutos - respondeu, aproximando o corpo semi-nu ao dela, que já se encontrava preparado para recebê-lo.

- Quatro minutos - sorriu.

- Chiu… - e afirmou o silêncio com um inundar de doçuras pelas bocas.

Penetrou-a como um dono que chega à sua propriedade querida. Movimentou-se devagar, sorvendo com a língua a meiguice da boca que o recebia e sentindo, lá em baixo, varejos de uma vida perfeita em amor. Sessenta segundos neste vaivém de brandura bonita. O relógio avançou e o tempo apertou. Ela gemeu. O homem aumentou o ritmo, louco pela viagem desenfreada que enfrentava. Viu as nuvens transformadas em cetins. Um cheiro baunilhado. Um gosto a algodão doce. O chamar de sereias nuas. Sessenta segundos neste sonho tão real.

  - Vem-te… - pediu a rapariga.

O tempo roeu-se novamente. As bocas apertaram-se e as respirações tornaram-se vadias. Unhas foram cravadas na carne. Uma madeixa de cabelo apertada na mão pesada. Sessenta segundos explodidos em paixão. Dele, dela. Nele, nela.

- Veste-te rápido.

Taparam os corpos e limparam indícios. Beijaram-se com volúpia. A porta abriu.

- Papá, mamã. Cheguei!

A mulher sorriu, corada por um tesão antigo. O homem recebeu o pequeno nos braços.

O tempo seguiu o caminho.

 

 

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