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28
Jul 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

O Castelo das Águias

 

Em primeiro lugar, devo referir que livros sobre magia, escolas de artes místicas, magos e feiticeiros nunca fizeram parte das minhas leituras. Portanto, fui virgem para essa aventura, sem antecedentes Harrypotianos e semelhantes. A resenha que se segue é, portanto, de alguém que leu, pela primeira vez, algo do género e que, timidamente, afirma não perceber muito sobre o assunto. Mas, como em tudo, há uma primeira vez e eu tenho a minha opinião, que vale o que vale. Ana Lúcia Merege conseguiu escrever de forma clara, consistente e deu um seguimento adequado à história. Nota-se um cuidado bonito com as palavras e com o desenrolar das ações. Porém, isso traz uma consequência: embora fluída, a narrativa pareceu-me demasiado estruturada, como se a autora estivesse concentrada em limitar-se a (d)escrever o enredo, esquecendo, de uma certa maneira, os personagens que, muitas vezes, me pareceram ocos e sem personalidade. Se se tratasse da primeira obra de Ana Lúcia Merege, esse facto passar-me-ia despercebido mas, tendo lido diversos contos da autora que me entusiasmaram bastante, senti que este livro foi escrito com um certo receio de sair daquela linha condutora, daquele guião. Gostei de Kieran e de Hillias, personagens com algum caráter, que conseguiram passar alguma emoção. Infelizmente não gostei da protagonista: Anna de Bryke pareceu-me demasiado frágil, hesitante e pouco corajosa que, com qualquer obstáculo, desistia. Outra coisa que me incomodou foi o romance entre Anna e Kieran. Acho que faltou arrebatamento e paixão e deu a impressão que as personagens formaram um casal à pressa, apenas para dar, à história, um toque de amor que, na minha modesta opinião e infelizmente, não se concretizou. Acho que Ana Lúcia Merege tinha tudo - talento, ideias e imaginação - para criar algo fora de série. Gostei do Castelo, das Águias, da ilha, dos habitantes, das menções a deuses nórdicos, do vestuário, das lendas e dos nomes que se assemelham aos usados na Europa do Norte e que fogem ao habitual cliche de juntar um bando de letras que formam um som bonito. Parece que O Castelo das Águias terá continuação e eu espero que Ana Lúcia Merege nos brinde com uma história tão rica quanto esta mas que a tempere com um bocadinho de sentimento; que dê mais densidade às personagens e não tenha medo de não escrever politicamente correto. Na liberdade está a magia.

 

Querida Ana, agradeço o livro e a oportunidade de ler algo seu, que não contos.

 

Nota: 6 águias.

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