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08
Ago 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Naquela manhã de Setembro, de chuva miudinha, as turmas apresentavam-se aos professores. A turma C do 10º ano preparava-se para a primeira aula de Educação Física. O professor tardava. Os rapazes gritavam as hormonas pelo campo de futebol. As raparigas travavam diálogos de conhecimento.

- Não jogas? - pergunta Luís a um outro rapaz.

Ele suspira e ajeita os óculos à cara. - Não sou adepto desse tipo de actividades. Aliás, eu e a Educação Física não somos bons companheiros - responde, suspirando novamente, como se a vida lhe pesasse na alma.

- Pois… eu também não.

Os rapazes olham-se e trocam um sorriso cúmplice.

- Gostas de fazer o quê, então?

Desta vez, um mirar ao alto. Os olhos tocam no céu, como se pedissem permissão a Deus para responder àquela pergunta. - Escrevo. Todos os dias, sempre que me apetece.

Luís abre a boca, sem dar por isso. Finalmente, alguém que compartilha o seu gosto pela escrita.

- Escrevi um livro e consegui uma editora que o publicasse - murmura baixinho.

- Uau! - exclama Luís. Queria ser escritor. Poder ver as suas obras expostas nas bancas de livrarias conhecidas era um sonho mais antigo que o seu próprio nascimento. No entanto, e apesar de escrever muitas vezes, ainda não tinha nenhum livro escrito. - É sobre o quê? - pergunta, fascinado com aquela presença quase divina, à sua frente.

- É sobre acreditarmos em nós próprios, nas nossas capacidades e atributos. É sobre acreditarmos que, aliada às nossas qualidades, está uma entidade que nos guia e protege e que, crendo piamente na sua existência, ela nos ajudará a alcançar tudo aquilo que pretendemos.

- É sobre religião, então?

- Se assim o quiseres chamar - responde, olhando para dentro dos olhos de Luís. - E tu? Também gostas de escrever?

- Adoro. Mas ainda não tenho nenhum livro. Ideias não me faltam mas não sei se valerá a pena perder tempo a escrevê-lo para depois ficar guardado numa gaveta.

- Escreve! Não penses nos ses. Acredita em ti, no que tens dentro de ti e escreve. Não destines o teu destino sem ele estar sequer, ainda, destinado. Nunca desistas!

E com estas palavras, o toque de saída soou. O professor não aparecera. Despediram-se e Luís foi para casa. Escreveu sem parar e foi feliz assim. O outro rapaz? Bem, esse nunca mais apareceu.

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