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19
Ago 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Pessoas, tragam as suas armas! Vamos, rápido. A editora Saída de Emergência está à procura de guerreiros e vocês podem ser os escolhidos. Deixo, em baixo, os requisitos estabelecidos pela editora, num texto de João Barreiros:

 

"O propósito desta antologia temática será retratar Lisboa na volta do Milénio — Natal do Ano 2000 — mas um Milénio diferente tal como poderia ter sido imaginado pelos autores do início do séc XX.

Trata-se pois de um conceito semelhante ao tão popular género steampunk, mas com duas diferenças. As narrativas terão de decorrer precisamente no ano 2000, ou seja, no futuro e a base de energia não será o vapor, tão caro aos autores com Blaylock, Powers e Gibson, mas sim a electricidade cuja utilização começava já a despontar na aurora do século XX.

A nossa intenção será criar um mundo consensual, de uma série de contos interligados no mesmo tempo (uma semana), no mesmo futuro/passado (ano 2000), onde serão utilizadas todas as tecnologias sonhadas pelos nossos avós.

Algo como isto foi já tentado por autores do século passado, cuja leitura das obras se recomenda aqui como fontes de inspiração:

 

WHEN THE SLEEPER AWAKES, H. G. Wells

AS MARAVILHAS DO ANO 2000, Emílio Salgari.

PARIS NO ANO 2000, Júlio Verne.

LISBOA NO ANO 2000, Melo de Matos

O FUTURO DOS NOSSOS AVÓS, Carlos L. Bobone

 

E isto para apenas realçar alguns exemplos mais marcantes.

 

Resta agora pensar um pouco nas invenções tecnológicas que poderiam surgir numa época como esta.

 

— Dirigíveis. — Sejam eles naves de guerra ou simples veículos de transporte.

— Passadeiras móveis (tipo tapetes rolantes junto às estradas como diferentes gamas de velocidades).

— Monocarris elevados para a aristocracia, centenas de metros acima do nível das ruas.

— Mega prédios nas novas zonas periféricas. Alimentados por colectores Tesla.

— Nas zonas mais proletárias, e haverá bairros gigantescos e degradados de “continentes proletários”, talvez seja possível utilizar colectores eólicos.

— O Tejo estaria defendido por baterias de canhões nas duas margens, canhões que lançariam obuzes para deslizarem sobre as águas como faz um seixo rolado até irem bater no casco dos navios inimigos. (facto histórico)

— Contentores de mercadorias em forma cilíndrica seriam disparados de uma ou de outra margem por canhões electromagnéticos e recolhidos em rampas no final de uma órbita parabólica rigorosamente calculada.

(Sugestão para um conto: falhas no sistema dos mecanismos de disparo provocariam o extravio catastrófico destes contentores de várias toneladas)

— Isto implica que potências inimigas possam fazer fogo contra Portugal com mega canhões a milhares de quilómetros de distância. (Recordem-se da Big Bertha).

— Submarinos. (Principalmente controlados pela Grosse Germânia que ocupa a totalidade da Europa até aos Pirinéus) — Um pequeno combate naval na embocadura do Tejo seria um tema interessante.

http://www.submarine-history.com/NOVAtwo.htm

http://en.wikipedia.org/wiki/Isaac_Peral

Nos links acima citados encontram-se magníficos desenhos sobre os primeiros protótipos. Aliás seria interessante que fosse utilizado o modelo construído por Isaac Peral, que se encontra em exposição no Museu do Mar em Barcelona e no qual o Júlio Verne se inspirou para o seu Nautilus.

— Fábricas e fundições com o modelo das fornalhas solares do Padre Himalaya.

— Para coleccionar a energia, teremos dezenas e dezenas de Torres Tesla, perfeitamente funcionais. A maior  estaria localizada na zona do Bugio.

— Tesla teria desenvolvido armas terríveis como o raio da morte que poderia ser utilizado, na sua forma macro ou micro, pelo exército.

E também, claro, a máquina de gerar terramotos que poderia servir de tema a um qualquer conto sobre terrorismo anarquista.

 

Uma ideia interessante, aflorada no livro do Emílio Salgari: a novidade das novas formas de energia (neste caso a electricidade) gera novos medos. Quais as consequências de uma atmosfera saturada de impulsos eléctricos?

 

A minha resposta seria: a captura de espíritos (dead people) que teriam tendência a congregarem-se junto destes megageradores que utilizam o campo electromagnético terrestre. E mesmo djins, espíritos do ar da terra e das águas, que aos poucos vão ganhando congruência.

 

Como resposta a este problema, existem Companhias de exorcistas, que constantemente despolarizam as zonas mais infestadas de Lisboa.

 

Lisboa seria uma urbe imensa, com mais de 100 quilómetros de diâmetro, que se tenderia até Setúbal para o Sul, Cascais e Sintra. As zonas ribeirinhas estariam de tal modo atravancadas por zonas fabris, refinarias, conservas de peixe, fábricas de cordame, centrais eléctricas e geotérmicas, que a Torre de Belém estaria completamente afundada neste caos de armazéns, linhas de caminho-de-ferro e docas para os grandes cruzadores transoceânicos.

 Os primeiros mecanismos de consciência artificial estariam já a ser utilizados. Não robôs, mas autómatos ou golems movidos a corda ou a baterias e activados por rolos de cartões perfurados. Estes serviçais teriam tendência a ficarem desafinados ou a enlouquecer junto das torres Tesla. Portanto muito cuidado. Casos houve onde eles foram possuídos pelas emanações desses fantasmas irredutíveis.

Os automóveis seriam pilotados pelos robôs/tronco (as pernas aqui não seriam necessárias). Os nostálgicos de outras eras teriam ainda cavalos automáticos para puxarem as caleches.

Algures, no Norte de África, as fábricas abandonadas pelos Ingleses, Franceses e Espanhóis, estão aos poucos a atingir a singularidade. Não cessam de disparar mega canhões para colocarem parte de si mesmas em órbita em torno da Terra. São zonas tão bem defendidas por autómatos de ataque que se tornaram numa terra de ninguém. Mesmo assim há quem se aventure no interior em busca de artefactos muito bem cotados nos mercados Europeus.  Pensem em Marrocos, Tunísia, Argélia, Egipto, enfim. Toda a faixa do Norte de África até ao  Atlas.     

Inimigos? Bom, a Grosse Germânia, que ocupa a Europa Central, governada por Keisers paranóicos em crise expansionista. Aliados? Os Britânicos, os Espanhóis. Os USA continuam perdidos em guerras intestinas, Norte contra Sul, para sempre.

O grande mistério: O que foi que aconteceu à Rússia, da qual não chega uma única notícia? Diz-se por lá que atingiu a Utopia, mas ninguém que a visitou conseguiu voltar.

Os nossos governantes serão Reis, mas reis degenerados por uma excessiva endogamia. Os infantes e príncipes, todos eles com dificuldades cognitivas, só conseguem deslocar-se com a ajuda de “coleiras conselheiras” que nem sempre dão bons conselhos… (Imaginem-nas infectadas por programas virais importados do Norte de África).

 

Esta será apenas uma primeira abordagem ao tema. Todos os participantes nesta antologia deveriam introduzir algo mais, como acrescento, mas nunca como corte às premissas acima citadas. Não se esqueçam que estamos numa realidade consensual. Todas as narrativas decorrem no mesmo universo, sem que haja contradições.

Algo importante: nunca, nunca contar. Sempre e sempre mostrar. O infodump é totalmente proibido, e a ser cortado como se fosse um anátema. Os contos terão de ser estimulantes, rápidos, complexos, originais e, essencialmente, com pessoas. Lisboa não passa de uma tela, de um pano de fundo. Tentem ser sempre criativos. Não se coíbam. Não sejam politicamente correctos. Sangue e violência são permitidos. Por isso mesmo esqueçam o umbigo. Temos um mundo inteiro para pintar.

 

João Barreiros

 

DATA LIMITE DE SUBMISSÕES: 30 de Dezembro de 2011. Após esta data, as submissões enviadas serão automaticamente excluídas.

Os contos deverão ser submetidos em formato rtf ou word, e enviados como anexo para o e-mail geral@saidadeemergencia.com com o assunto SUBMISSÃO LISBOA ELECTROPUNK. O e-mail de submissão deverá incluir os contactos do participante. É permitida mais do que uma submissão por cada autor.

Os contos submetidos deverão ser inéditos e em língua portuguesa e não deverão ultrapassar os 35.000 caracteres com espaços. Os textos serão avaliados pelo editor da Saída de Emergência e o organizador da antologia, João Barreiros. Os resultados serão anunciados na última semana de Fevereiro de 2012 e, no caso de submissão aceite, os autores serão contactados para posterior publicação na antologia. A editora e organizador reservam-se no direito de não seleccionar quaisquer submissões caso estas não cumpram os requisitos solicitados. A antologia será publicada no verão de 2012.

Boa sorte e bom trabalho!"

 

 

 


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