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15
Set 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

 

Um livro que se tornou um dos meus favoritos pela crueza da história que, não obstante não ser de grandes enredos, é complexa por materializar o escudo protetor que as personagens - ou qualquer pessoa - tendem a tecer em sua volta, impedindo, desta forma, a interação e a partilha. Castel, personagem principal e narrador conta, do princípio ao fim, o seu romance obcessivo com Maria, desde o momento em que a vê pela primeira vez, ao passar dos anos na sua ausência mas, ainda assim, apaixonado, à perseguição da mulher com o intuito de a conhecer, ao relacionamento que surge entre ambos e, finalmente, ao culminar da sua loucura: o homicídio de Maria. Ao longo da história um túnel vai sendo construído - o túnel da vida de Castel - e, a certo ponto, sabemos que esse caminho escuro e perturbador não tem retorno; é uma rua sem saída e sem possibilidade de regresso. Ciúmes patológicos; falta de arrependimento - Castel assume que matou a única pessoa que o compreendeu, mas, nem por isso, se vê desespero pela sua ação - um estranho amor entre homem e mulher; uma Maria que é causadora de todo o sofrimento por ele sentido; uma teia de suposições que, por sua vez, origina uma nova teia de suposições; a importância dos momentos maus em detrimentos dos momentos bons: tudo isto, narrado na primeira pessoa, leva-nos à infeliz conclusão que o amor também pode ser apenas dor; que o amor, na cabeça de um louco, pode ser o sentimento mais errado do mundo. Castel ama mas, ao mesmo tempo, faz de Maria um carrasco, comparando-a a prostitutas, acreditando que mantém casos amorosos com alguns homens, elaborando teorias loucas que só cabem na cabeça dele. E no fim, mata-a porque...

 

" - Que vais fazer, Juan Pablo*?

Pousando a minha mão esquerda sobre os seus cabelos, respondi-lhe:

- Tenho de matar-te, María. Deixaste-me só." 

 

*Juan Pablo Castel.

 

Nota: 8 túneis.

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