Como é o vosso Paraíso? O meu tem forma de Biblioteca.
OS MEUS LIVROS: |Distúrbio| |Antologias|

28
Abr 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

 

 

 

 

 

 

Ofereceram-me este livro e eu, devoradora de leituras, olhei para a capa, li o título e o comentário do Independent on Sunday que diz "Faz recordar Stephen King no seu melhor" e não tive dúvidas: este livro é dos bons. Meti-me na cama e li-o de uma assentada só.

A acção desenrola-se em Blackber, na Suécia, que, não fugindo a estereótipos e preconceitos, é retratada como qualquer outra cidade sueca - pelo menos nos livros suecos que tenho lido: um local inóspito, onde o frio e o gelo parecem abafar os sentimentos, com uma sociedade sombria e demasiado formal e relações familiares pesadas e problemáticas. Só por este ponto e, talvez, por não estar habituada à falta de sol e a formalidades excessivas, a narração já mexeu comigo. A personagem principal é Oskar, um rapaz de 12 anos que vive com a mãe e sofre de bulling na escola. E, apesar de ele ser uma criança estranha, com uma imaginação muito fértil e uma atracção bizarra por notícias que envolvam muito sangue e terror, eu senti um carinho tão grande por ele que, nas alturas em que ele era atacado na escola, só me apetecia dar uns valentes tabefes nos agressores. Certo dia, Oskar conhece Eli, uma rapariga diferente das outras, que não estuda, não sai de dia e tem um aspecto muito pouco normal. Juntando estas características aos inúmeros assassinatos que vão ocorrendo na cidade, o leitor logo percebe que Eli não é humana e que é a responsável pelas mortes. E pensam vocês: só isso? Que cliché. Não, queridos leitores, não é só isto. O autor conseguiu fugir a qualquer chavão e criou uma nova criatura (não vou contar o quê porque, senão, perde a graça). O livro aborda assuntos que podem chocar os mais sensíveis: a pedofilia, com descrições bem explícitas; homicídios recheados de sangue; as próprias cenas de bulling; a impassibilidade e insensibilidade da sociedade em relação a essas situações. No entanto, não pense o leitor que o livro é de uma violência gratuita. Pelo contrário. Esses dramas dissolvem-se na excelente escrita do autor e nas cenas comoventes que o preenchem. Em John Ajvide Lindqvist é fácil encontrar uma violência extrema aliada a uma inocência e pureza quase surreais. Parece estranho? Sim, talvez. Difícil é com certeza, mas ele consegue e, com isso, captou a minha atenção do princípio ao fim. As restantes narrativas: a história de Lacke e Virginia e os problemas de Tommy e a mãe, sinceramente, passaram-me um pouco ao lado. Eli, Oskar e Häkan captaram a minha atenção e era quase impossível fugir deles para atender os outros personagens. Aos fãs de literatura fantástica, aconselho vivamente. Aos restantes leitores: se querem sentir as emoções à flor da pele, se gostam de viver a história enquanto a lêem, isto é, chorar, zangar-se e rir-se, leiam este romance. Ele é complexo, perturbador e intenso.

 

Vi o filme e não gostei nem metade do que gostei do livro.

 

Pontuação: um assustador 8.

tags:

Contacto: paraisobiblioteca@sapo.pt | Twitter: @ValentinaSFerr
Adquire o teu exemplar do Distúrbio
E tu? Já és fã? ;)
A Menina da Biblioteca também escreve aqui:
"Estórias do Arco-da-Velha"