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20
Set 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Talentosa, bonita, simpática: a senhora que se segue, Mariana Collares.

 

 

P.B: Escrever é...

M.C: Escrever é exorcizar-se. É derramar na tela um pouco da própria humanidade. É imprimir um pouco da transitoriedade humana, para tentar existir para além do fim de tudo. É mostrar-se, escondendo-se. É entender-se, lendo-se. É não entender coisa nenhuma e dizer isto em algumas palavras - quase sempre ressentidas da sua própria insignificância e da nossa infinita impossibilidade de decifrar a si mesmo.

 


P.B: É cronista, por excelência. Que outros géneros literários moram no seu coração?

M.C: Intitulei-me “cronista” na falta de algo melhor para definir o que escrevo. Como a crônica está à margem dos estilos literários, muitas vezes entrando numa estranha sintonia com o conto, e como minhas divagações mais se amoldam a ela, me entendi como cronista. Vejo, entretanto, que meus textos não se amoldam em um único estilo literário, tampouco, e tão somente, à crônica. Vezes há em que estão em tamanha identidade com a poesia, que chegam a inaugurar algo como um “croniconto poético”. Divago, então, entre o conto, a crônica e a poesia para chegar a um denominador comum que a academia ainda não intitulou. Por isso, chamei meus textos de devaneios literários - nome de meu blog e de meu primeiro livro. A par disto, sou apaixonada pelo romance, pela poesia e pelo conto. O realismo fantástico está entre meus favoritos, na hora da leitura, mas não dispenso uma boa prosa, qualquer que seja ela. Então ando por tudo, embora ainda me exprima sob um ou dois estilos mais definidos.

 

P.B: Certo dia ouvi alguém dizer que os os melhores escritores são aqueles que, para além de respirarem a escrita, são formados em Direito. Que  opinião tem sobre isso?

M.C: Não sei se é assim, ao menos não sei se podemos colocar isto como regra. Minha vocação literária é anterior à vocação jurídica. Embora o direito seja uma ciência humana e, como tal, tenha exigido muita leitura, vejo que a literatura sempre andou ao lado, mas sem tocá-lo. Obviamente, um estudante de direito, ao menos em tese, deve possuir estreita relação com a leitura. E comigo não foi diferente. Porém, a leitura que o direito exige é, em muito, diversa daquela exigida do “literato”, ou daquele que pretende seguir a carreira literária. Então não vejo uma relação de causa e efeito entre o direito e a “boa” literatura. Se assim fosse, não teríamos expoentes de peso como Moacyr Scliar, no Brasil, que era médico, para não falar de outros tantos.

 

P.B: Próximos projetos?

M.C: Acabo de finalizar meu segundo livro, agora de contos e crônicas. Está em fase de análise para publicação em algumas editoras. Mas já conto com novas ideias para novos livros, dentre eles, um romance – este em fase de estudo e captação de dados históricos para compor o pano de fundo no qual a história irá transcorrer.

O blog seguirá sendo um ponto de referência, pois foi dele que saí, e pretendo continuá-lo, até porque vejo que se tornou uma excelente oficina literária e ponto de encontro de pessoas que lidam com literatura - o que muito me apraz. Sigo, igualmente, sendo colunista do Site Comunidade Literária Benfazeja (www.benfazeja.com).

No mais, alguns convites para trabalhar com leitura crítica de originais, mas não sei se terei tempo para tanto.

Enfim, a literatura, que começou como paixão, está se tornando profissão. O lado bom é que continua sendo apaixonante, o que faz com que meu tempo gasto com ela seja considerado mais “diversão” do que propriamente “trabalho”.

 

Agradeço a oportunidade!

Grande abraço!

 

Mariana Collares

 

Contatos:

www.marianacollares.com.br

www.devaneiosliterarios.blogspot.com

mariana_collares@hotmail.com

 

Ver IMG_0054.JPG na apresentação de diapositivos

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Gaúcha de nascimento, nasceu em Pelotas, em 14 de outubro de 1972, por acaso - os pais estavam fugindo do DOPs (a temida polícia do regime militar) e se exilaram na casa dos avós paternos, onde viveu até quase completar um ano de idade. Seu nome fora o pseudônimo da mãe, usado durante as reuniões e manifestações sociais, e provinha dos livros de Jorge Amado (a trilogia Os Subterrâneos da Liberdade). Mariana era a mocinha revolucionária, mulher de João Amazonas, heroi dos tempos da “comuna” e do imaginário dos jovens daquela conturbada época. Por isso diz ter a revolta em si e em tudo o que cria. Mas uma revolta pacífica e construtiva, como poucas têm condições de realmente ser. Criou-se em Porto Alegre e até hoje se diz “portoalegrense” de coração – a cidade que ama e escolheu para viver. Criada entre os livros, e sempre estimulada pelos pais, aos 6 anos escreveu a primeira redação na escola, impressionando a professora, que chamou a mãe para falar da filha que “escrevia muito mais do que as outras crianças”. Aos 12 já possuía vários diários com muitos escritos, que mostrava para poucos. Escreveu nesta época os primeiros poemas, que foram requisitados pelas amiguinhas e levados para longe... Imagina-os hoje em algum caderno distante, fechado entre gavetas empoeiradas. Aos 13 anos escreveu sua primeira peça teatral. Foi encenada com sucesso na escola e então escreveu outra, ambas de conteúdo infanto-juvenil. Aos 19 anos iniciou o projeto que chamou Devaneios Literários – uma seleção de prosa e poesia que encheu pastas e mais pastas até vir a publicá-la, em 2005,

no blog homônimo. Em 2010 lançou o livro DEVANEIOS LITERÁRIOS (crônicas), pela editora Bookess. Atualmente divide-se entre os afazeres da escrita e a profissão de formação (o direito). Colabora com o blog www.devaneiosliterarios.blogspot.com e o site www.benfazeja.com, em ambos como cronista.

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