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Out 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Queridos leitores da Paraíso, gosto de todas as entrevistas aqui publicadas, que gosto, mas quando as pessoas entrevistadas são como a Celly Monteiro, o prazer é ainda maior. Em seguida: um jovem talento da literatura fantástica brasileira.

 

 

 

P.B: Quando surgiu a paixão pela escrita?

C.M: Inconscientemente junto com a minha paixão pela leitura.  Lá pela minha infância, quando ela nem sabia como ser canalizada. Quando eu folheava com uma curiosidade a saltar dos olhos os livros de português atrás das leituras para interpretação de texto, quando eu xeretava os livrinhos de bolso do meu pai. Depois vieram os gibis da turma da Mônica e assim por diante. Acho que toda pessoa que gosta de ler, no fundo, também gosta de escrever. Só precisa descobrir que pode. Ousei tentar em um concurso escolar, já então tinha 14 anos. Não consegui concorrer no concurso, mas ele nem mais me importava diante da maravilha da descoberta da escrita. Desde então não conseguia mais parar.  

 

P.B: Participa em várias antologias de contos. Qual a sua favorita?

C.M: É sempre divertido participar dessas antologias. Sobretudo por que acaba sendo um desafio desenvolver aquele determinado tema que ela propõe. Há aquelas em que você nem acredita que vai conseguir e de repente se surpreende. Entretanto, as três primeiras antologias que participei, lançada em 2010: Beijos e névoas, Beijos e Sangue e Poção, Encantos e Assombrações organizada pela escritora Jossi Borges, essas eu as considero as mais especiais. Foram as primeiras, de um tempo em que eu nem acreditava na qualidade do que escrevia e de alguma forma foi o que me incentivou a participar das outras.

Mas se formos falar naquele conto que eu mais gostei de escrever, diria que foi a antologia Histórias Fantástica do Brasil vol. 2 Guerra dos Farrapos. Sobretudo por uma série de detalhes: gosto muito de história, gosto ainda mais do evento histórico da Guerra dos Farrapos. Na época eu tinha acabado de devorar o livro a Casa das Sete Mulheres de Letícia Wierzchowski, um livro lindo, delicado apesar do tema. Então estava cheia da áurea daquele momento histórico, da beleza da escrita da Letícia e escrever um conto no tema foi como mergulhar em tudo isso. Não bastasse tenho um especial apreço pelo conto por que nele acabei me dando liberdade para falar de temas que acho muito especiais, coisas como anjos e a relação de apego entre o pai e seu filho.

 

P.B: Todo o escritor tem a sua metodologia de trabalho. Pode nos contar como é a sua? Prefere escrever de dia, de noite, em casa, na rua...?

C.M: Sou uma escritora notívaga por falta de opção. Venho de uma família grande e barulhenta. Cheia de pimpolhos correndo por todos os cantos, batendo as portas, adentrando em meus locais de refugio por mais recôndito que ele seja.  Como tenho dificuldades em me concentrar com barulho e muito movimento, acostumei-me a escrever enquanto todos estão dormindo.

 Para escrita sou um pouco relaxada e intuitiva. Não costumo fazer muita pesquisa. Só quando realmente é necessário. Ainda assim geralmente me concentro mais na idéia, acho que a criatividade pode fazer milagre. Depois da idéia modelada no papel minha intuição me diz o que especificamente preciso pesquisar para dar um realce à história, sem muito trabalho. Talvez eu seja uma escritora preguiçosa no final das contas. Mas apesar disso eu realmente gosto de criar.   

 

P.B: Próximos projetos literários?

C.M: Há um ano venho mantendo um desafio literário com as escritoras Yane Faria e Verônicas Freitas. Consiste em algo assim: uma define o tema do conto que a outra desenvolverá. Geralmente algo muito diverso do que sempre escrevemos. É uma forma de tornar a nossa escrita eclética. Tem sido uma atividade produtiva a qual pretendo manter até quando for possível.

Além deste há outro desafio também ao qual estou engajada. O escritor Alec Silva, um grande amigo, me fez assumir o compromisso de terminar meu primeiro livro solo em um ano. Como não quero desapontá-lo, e sei que já era hora de me aventurar em algo mais longo que apenas contos, estarei trabalhando nesse projeto nos próximos meses.

E claro, há as antologias. Aquelas a qual fui convidada, outras que pretendo concorrer ainda esse ano.

 

 

Ver Celly Mon...jpg na apresentação de diapositivos

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Celly Monteiro é sergipana, mora em Aracaju, é formada em Gestão de Turismo. Desde pequena cultiva o hábito da leitura, possuindo especial apreço por histórias fantásticas. Participa das antologias: Beijos e Névoas, Beijos e Sangue, Poções, Encantos e Assombrações, Extraneus vol. 2. Além das que aguardam lançamento como Histórias Fantásticas vol. 3 e 4. Sete Demônios; Soberba e Preguiça, Eu Acredito em Fadas, História Fantástica do Brasil vol. 2 Guerra dos Farrapos e Green Death vol. 0.  Alguns de seus contos podem ser encontrados no Blog: A fantasista: (http://afantasista.blogspot.com/)

Contato com a autora: marcellym90@gmail.com

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