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06
Dez 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

A fofa Celly Borges e o seu Mundo de Fantas receberam-me para uma pequena entrevista. 

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Mundo de Fantas: Como foi escrever Distúrbio, conte-nos o processo.
                                         
Valentina Silva Ferreira: Escrever Distúrbio, aos dezanove anos, foi a minha maior aventura. Em primeiro lugar, porque eu só escrevia contos; segundo, porque sabia que o tema traria dúvidas por parte de outras pessoas; e terceiro: eu não fazia ideia de que escrever um romance implicaria uma mudança tão grande em mim. Passo a explicar. Na faculdade, qualquer um ocupa as suas 24h com coisas normais da idade. Nos cinco meses em que me dediquei ao livro, eu estudava, mas queria escrever; eu não estava com os amigos, nem ia a festas ou ao cinema. Resumindo, eu não tinha tempo livre. Eu escrevia. Ouvia, muitas vezes, quem me dissesse que, depois daquele, eu não escreveria mais porque era um compromisso demasiado grande, porque roubava muito de mim, porque eu deixava tanta coisa de lado para poder concentrar-me exclusivamente a ele. Enganaram-se. Foi com Distúrbio que eu percebi que escrever é o que me faz completamente feliz, não só pelo prazer do próprio ato, mas, também, por poder colocar no papel situações que sempre me afligiram, como é o caso da pedofilia. Quem me vai conhecendo literariamente, sabe que esse é um tema que muitas vezes abordo. E com esses, muitos mais virão porque eu encontrei na escrita um exorcismo para todas as frustrações que vou sentindo ao longo do meu percurso acadêmico – e mais tarde profissional – no mundo do Direito. Há quem escreva para respirar. Eu escrevo para me limpar.
MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter ligação com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.
VSF: Quando me perguntam qual o meu livro favorito, eu digo que tenho um top 5 (que irá crescer ao longo dos anos). São livros que me fizeram odiar/amar personagens, que me soltaram valentes gargalhadas e lágrimas e que me transportaram para outro mundo. Tudo na mesma leitura. Lolita, de Vladimir Nabokov é, sem qualquer dúvida, o cabeça da lista. Nabokov conseguiu, dentro da mesma obra, escrever um romance, um policial noir e um livro de viagens. Somos transportados de gênero em gênero com uma subtileza tão bem escrita que nem damos por essas mudanças. Recentemente, li A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, um livro tão rico em narrativa, detalhes, exploração de sentimentos e com as personagens mais incríveis que já vi – acreditem, vão adorar o personagem Fermín. José Saramago em Ensaio Sobre a Cegueira chocou-me com a crueza das cenas, com a magistralidade da ideia e com críticas sociais que raramente pensamos porque vivemos demasiado concentrados no nosso próprio umbigo. Apaixonei-me pelo O Carteiro de Pablo Neruda, de Antonio Skármeta, por ser, talvez, o livro mais doce – e repare-se que doce não significa light – que alguma vez li, com passagens narrativas dignas de serem passadas para um caderno, lidas vezes sem conta e decoradas. É um livro que me faz suspirar. E, finalmente, em Como Água Para Chocolate, de Laura Esquivel, mergulhamos no surrealismo latino-americano que, na minha opinião, é das literaturas mais apaixonantes, envolventes e ricas em descrições de texturas, cheiros, paladares e emoções.
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