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Dez 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

A Paraíso recebe, hoje, o Senhor dos Sete Pecados Mortais. Entrevista boa, boa!

 

 

P.B: Como é fazer parte de VII Demónios (Estronho) e como foi o processo de escrita?

G.A: Escrever para os VII Demônios foi um desafio que me lancei no campo da escrita. Eu estava com um projeto de livro em andamento mas não me senti tão confortável em encarar de vez as páginas de um romance sem amadurecer minha narrativa, com isso passei a criar desafios imaginários para testar minha narrativa e receber o feedback do público. Com Cursed City, saí de minha zona de conforto e fui escrever sobre Western (mesmo que de maneira bizarra) um território que definitivamente não era minha especialidade (nem mesmo em minha mente). O anúncio dos Sete Capetas, ou os Sete Cramunhas, como chamo carinhosamente, surgiu em um momento muito oportuno, propício para me dar esse amadurecimento necessário.
A princípio a ideia era apenas a de escrever para as sete antologias, não tinha até então grandes planos e comecei a esboçar alguns rascunhos, até que coloquei na cabeça que não apenas seriam sete contos, mas os sete contos seriam relacionados, todos se passando em um cenário novo. A partir daí o processo inteiro se transformou em uma descoberta pois ao passo que eu escrevia os contos é que ia dando a esse cenário corpo e composição. Sobre esse assunto, um ensaio chamado "Gehenah: O Inferno apenas começou" foi publicado na revista R.I.P. #7 onde conto com mais minúcias sobre esse processo. (http://estronho.com.br/editora/index.php/rip-read-in-peace)
 
P.B: Um passarinho twitano contou-me que está em produção de um primeiro livro solo. Quer falar sobre ele?
G.A: "Registros Imperiais: O Sangue da Terra" era o livro que eu estava escrevendo quando percebi que precisava de mais maturidade e confiança na minha escrita. Após concluir os sete contos da antologia VII Demônios, me voltei para ele e retomei o trabalho. "R. I." conta a história de um nobre britânico que desembarca nas terras do Império Brasileiro em seu terceiro reinado. Esse nobre é Lorde Mark, um Stuart que está em busca de um amigo desaparecido e traz consigo seus dois filhos. A história se passa em algum ano entre 1898 e 1904, não sendo precisado ainda qual é este ano, época do Terceiro Império quando o Imperador Dom Afonso, I ao lado da Imperatriz Consorte, a Rainha Kehinde Areta do império de Oyo Yorubá, dá continuidade ao trabalho da gestão de seu pai, Dom Pedro II, que transforma o Império Brasileiro em uma das maiores potências do mundo. Um reinado quase utópico.
É uma realidade alternativa cujo ponto de mudança é a sobrevivência do Infante Afonso, que em nossos registros faleceu em 11 de junho de 1847. Com isso, a administração de Dom Pedro II não decai e vários dos problemas de sucessão sequer vem a existir. É um reino próspero onde a abolição da escravatura aconteceu em 1869 de forma harmônica fazendo com que os ex escravos se tornassem senhores de posses e terras e se integrassem completamente à população Brasileira.
Dar forma a esse romance foi um trabalho árduo principalmente no campo da pesquisa histórica, sucessões imperiais e todas as contribuições que fizeram com que o Império caísse ante a urgência da República. É um trabalho que constantemente tem de ser rememorado para evitar imprecisões históricas (mesmo em uma realidade alternativa) ou anacronismos que descaracterizem a obra. Embora ela parta de um ponto de Realidade Alternativa, sua temática é Steampunk pois nesse cenário o Vapor existe e é uma força que moldou muito da sociedade acelerando em alguns pontos o desenvolvimento da mesma. No entanto a tônica dada ao Romance envolve mistério, suspense, aventura e até mesmo um pouco de romance.
O Livro ainda está sem editora certa e em período de conclusão, para saber mais a respeito e ficar ciente das novidades, basta acessar http://www.axisdraco.com/category/brasil-imperial/ onde são publicadas as notícias pertinentes a esse mundo e a esse livro.
 
P.B: Que obras fazem parte das suas preferências literárias?
G.A: Diria que as mais importantes no momento são "O Desfiladeiro do Medo" de Clive Barker,  Machado de Assis com destaque especial para  "Dom Casmurro" e "O Alienista", Lovecraft e várias das obras derivadas de suas criações, Carlos Castaneda, Austin Osman Spare, Helena Petrovna Blavatsky, Alesteir Crowley, e muitos outros com enfoque diversificado quanto a literatura fantástica ou espiritualista.
 
P.B: Próximos projetos?
G.A: Posso adiantar que para 2012 ainda publicarei um conto como autor convidado na antologia Suburbia pela Editora Estronho e o romance "Gehenah" pela mesma. Tenho dois projetos de quadrinho em andamento e outros contos que devem figurar em outras antologias e tenho um outro projeto literário secreto com o qual tenho trabalhado por mais de 15 anos, mas não sei se ele verá a luz em 2012 ainda.
 
 
 
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Ghad Arddhu nasceu em 1983 em São Paulo, é designer, escritor e graduando em letras. Mantém seu lar virtual em http://www.axisdraco.com onde publica suas ideias de forma autóctone e herética. Estudante apaixonado por cultura antiga, mitologia, cultos religiosos e ocultos, espalhados pela história da humanidade, suas previsões sobre 2011 estavam corretas, as estrelas estavam alinhadas e os eflúvios foram propícios. Para 2012 prevê a manifestação destas estrelas no campo físico, "elas se tornam cadentes na iminência de um novo tempo".
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