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24
Mai 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Inês Botelho é um jovem talento. A Paraíso Biblioteca convidou e aqui está - uma super entrevista a uma super escritora.

 

 

P.B: 24 anos e cinco livros publicados. Não fica surpreendida consigo própria?

 

I.B: Não, claro que não. Até porque nunca pensei na situação nesses termos. Depois do primeiro livro publicado, sabia que os dois volumes seguintes da trilogia também o seriam e, de algum modo, tornou-se lógico e natural planear um livro seguinte. A escrita começou como desafio, tornou-se vício, necessidade e acabou convertida em profissão. De certa forma o processo foi tão orgânico que não me deu oportunidade de ficar surpreendida com o que estava a acontecer.


P.B: Escrever implica responsabilidade e uma óptima gestão do tempo. Trocou as saídas com os amigos, as discotecas e bares, as coisas  próprias da juventude pela escrita?


I.B: De maneira nenhuma. Não vivi menos para me dedicar à escrita, pelo contrário. Tenho uma juventude normal acrescida de experiências com que não me atrevi a sonhar. Claro que não posso sair todos os dias, às vezes nem todas as semanas, mas é uma questão de gerir as várias actividades e distribuí-las da melhor forma. Quando era pequena estudei música, fiz teatro, tive aulas de dança e todas essas actividades extra-curriculares habituaram-me a planear bem o tempo. Por isso, não me custou lidar com a nova situação. Nem sempre faço o que mais me agrada, há sempre dias em que preferia encontrar-me num outro local, alturas em que gostaria de estar com os amigos e não posso, mas ainda assim não o considero como uma troca de um pelo outro. É uma questão de encarar com responsabilidade as escolhas que se fazem. E essa atitude não se limita ao meu caso. Além disso, o meu ganho foi muito superior às perdas.

 

P.B: Costuma ir a escolas conversar com os alunos. Qual a pergunta que mais lhe fazem?

 

I.B: Em que se inspira, ou de onde vem a inspiração, ou algo semelhante. Uma pergunta para a qual não existe uma resposta simples, até porque encaro a inspiração como algo secundário dentro do processo de escrita. Faz parte daquela pequena parcela de inexplicável, a mesma onde se agregam a origem das ideias ou a fonte da imaginação. Não sei porque penso primeiro em D e não em B ou F, ou M. E não me preocupo muito a tentar perceber; prefiro concentrar-me em trabalhar a ideia. Esse conceito do escritor inspirado, que serve de veículo a uma entidade externa ou que escreve como se possuído por uma clarividência extraordinária, sempre me pareceu algo ridículo. A escrita, como qualquer outra profissão, exige essencialmente trabalho. É raro uma ideia em bruto resultar em algo com qualidade. As ideias precisam de ser limadas, repensadas, testadas. E o texto exige um processo idêntico. Pela minha experiência, um escritor que dependa da inspiração vai esperar vinte anos e ainda assim não terá o livro concluído. Por outro lado, mesmo dentro do domínio do inexplicável, acredito que nada vem do nada e portanto, por caminhos mais ou menos recurvos, a inspiração surge do que vi, observei, pensei, assumi, imaginei, interpretei, experimentei; vem de tudo o que me forma.

 

P.B: Quais os próximos projectos?

 

I.B: Há muitos, mas os mais imediatos são terminar o livro em que trabalho e concluir o mestrado.

 

 

 

 

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Nascida em Vila Nova de Gaia em Agosto de 1986, licenciou-se em Biologia e em 2009 iniciou um Mestrado em Estudo Anglo-Americanos. Completou o 8º grau de Piano e Formação Musical. É autora da trilogia de fantástico O Ceptro de Aerzis, composta por A Filha dos Mundos (2003), A Senhora da Noite e das Brumas (2004) e A Rainha das Terras da Luz (2005). Publicou ainda os romances Prelúdio (2007) e O passado que seremos (2010). Colabora frequentemente com a revista Bang!.

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