Como é o vosso Paraíso? O meu tem forma de Biblioteca.
OS MEUS LIVROS: |Distúrbio| |Antologias|

25
Mai 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

 

 

 

Amigos e Amigas da Biblioteca, é com muita emoção que vos apresento a capa do meu primeiro livro. Distúrbio começou a ser escrito em plena época de exames do meu terceiro ano de faculdade. Uma manhã, acordei e toda a história caiu na minha cabeça. Não tive outra alternativa - eu tinha que escrever. O Chris, o meu melhor amigo, ouviu a minha ideia e disse: minha filha, estás à espera do quê? Confesso que, na altura, pensei que não estaria à altura do desafio, que não conseguiria transformar em palavras aquilo que a minha imaginação construía. Até que comecei e percebi que, escrevendo bem ou mal, podendo ter algum futuro ou não, o meu lugar no mundo era estar diante de um computador ou de um bloco de notas a fabricar vidas. Nasceu a Rossana, a personagem principal do livro, e, com ela, todas as outras. Durante cinco meses, aproveitava todo o tempo livre para escrever, para voltar atrás, para pesquisar e aprender, para apagar e reescrever. Foi um processo de crescimento pessoal que me fez ver que escrever não é só sentar o rabo e deixar as palavras fluírem nos dedos: não, é preciso ter a humildade de ver o que está mal e mudar, de ler o que está bom e não se deixar ficar por aí; é preciso ler muito, aprender novas formas de escrita, abrir caminhos na nossa mente; ter a consciência de que não somos Deus apesar de acharmos que a ideia é muito boa e que temos um bocadinho de jeito.  Quando acabei, em Maio (olha a coincidência), imprimi-o e entreguei-o à minha mãe que o leu numa noite. E, ao contrário do que possam pensar, a reacção dela não foi das melhores. Ela ficou chocada e várias vezes repetiu o facto de não conseguir encaixar um livro “tão brutal” - palavras dela - na minha personalidade “doce” - idem aspas. E querem saber uma coisa? Esse foi o melhor elogio que me poderia dar. Porque escrever é estar além do que somos, é fingir e imaginar, é deixarmos a nossa pessoa num outro estádio e partir para a história que criámos. Depois da minha mãe, muitas outras pessoas leram. Até que um dia pensei: e por que não tentar publicá-lo? E assim foi. Enviei-o para a Chiado Editora que, em pouco tempo, enviou-me um contrato com uma proposta à qual tive que recusar pois os meus bolsos não o permitiam. Mais tarde, tentei uma outra - peço desculpa mas não me recordo o nome - que disse que a obra era demasiado dolorosa e que, portanto, não encaixava na linha editorial deles. Não fiquei triste. Continuei a emprestar o meu Distúrbio encadernado a quem o quisesse ler e dava-me por satisfeita com os comentários que ia recebendo. Entretanto, escrevi outro romance (As rosas que me deste) e duas antologias de contos (Zona Alternativa e Inocência Assassina). O primeiro continua guardado; as segundas foram desfeitas e os contos usados para outros fins. Até que conheci a Editora Estronho, por acaso, numa dessas noites em que andava pela net. Fiquei, desde logo, encantada com o site e tratei logo de tentar a minha sorte nas antologias que são organizadas por eles. Ao fim de pouco tempo, fui seleccionada para algumas e um dia - um magnífico dia - o editor Marcelo Amado perguntou se eu não teria nenhuma obra a solo que quisesse enviar para avaliação. Para quem ainda não conhece o Estronho - shame on you! - a linha editorial deles é a literatura fantástica e todos os seus subgéneros. Portanto, achei que o terror psicológico do meu Distúrbio poderia ter, naquela editora, alguém que me dissesse palavras mais reconfortantes que as outras editoras. Enviei. Enviei e esperei sem pensar muito no assunto. E o resultado está aqui, nessa bonita capa que, para quem conhece a história, reflecte exactamente aquilo que eu escrevi.

Deixo-vos a sinopse:

 

 “E se você sofresse todos os horrores do mundo? Acha que aguentaria?
Rossana sofre uma infância terrível. Submetida aos abusos físicos do pai e às exigências quase sobre-humanas da mãe, a rapariga conhece, demasiado cedo, mundos que nem os adultos têm capacidade para enfrentar: o sexo sem amor, as drogas, a falta de proteção, a depressão, o homicídio e a doença.

Rossana tinha tudo para ser uma menina feliz: dois pais ricos, três irmãos que a amam e uma beleza fora do comum. Contudo, ao contrário da maioria das raparigas, Rossana não queria ser bonita. A beleza atraíra coisas que não desejava a ninguém. A mãe, frustrada por uma carreira de pouco sucesso, coloca na filha todas as suas ambições e desejos. Rossana procura na figura do pai, um aliado, mas acaba encontrando sofrimento bem pior nas mãos daquele que deveria protegê-la.

O mundo da moda lhe fora imposto a duras penas e tudo que ela queria, era ser criança. Onde Rossana encontrará alívio para suas dores? Como ela se livrará do sofrimento diário ao qual é submetida?”

 

Apesar de a obra ser editada no Brasil, o M.D. Amado sugeriu-me que a publicássemos em português de Portugal para que, assim, o livro possa vir para cá. Para Novembro (já vos disse que adoro Novembro?) está previsto o lançamento. Até lá visitem a página do livro e, para quem está registado, adicionem o livro nas vossas estantes do Skoob.

 

Obrigada à Estronho. Obrigada aos que sempre me apoiaram. Obrigada por todas as críticas construtivas que me ajudaram a querer escrever sempre mais e melhor.

tags:

Contacto: paraisobiblioteca@sapo.pt | Twitter: @ValentinaSFerr
Adquire o teu exemplar do Distúrbio
E tu? Já és fã? ;)
A Menina da Biblioteca também escreve aqui:
"Estórias do Arco-da-Velha"