Como é o vosso Paraíso? O meu tem forma de Biblioteca.
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19
Out 11
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"Sempre detestei ratos. Não só pelo seu aspecto repugnante, mas sobretudo pelo seu modo de agir. Lembro-me, quando era criança, de três ratos que nas noites de verão escalavam a macieira do quintal da vizinha à procura do melhor fruto. Era quase matemático. Mal o silêncio noturno se abatia sobre o jardim, os impunes roedores surgiam e, sem hesitações, galgavam impiedosamente o indefeso arbusto para saciar o seu apetite voraz, bem como o seu natural instinto de destruição. Espreitava-os da janela do meu quarto num misto de impotência e de horror. Contava-os um a um. Sabia-os lá e, apesar de toda a minha aversão, não resistia a assistir àquele repetido saque na calada da noite. Era a minha forma de me solidarizar com a triste árvore que, sem hipótese de escolha, nascera para pasto da rataria. Eles, os ratos, eram simplesmente asquerosos. As caudas compridas, o pelo baço, o focinho sôfrego, o passo curto e acelerado transformavam-nos em verdadeiros demónios que eu, desde a inocência dos meus 10 anos, aprendi a abominar. Odiava-os e ponto final. Eram grotescos, imundos e, sobretudo, parasitas cobardes que, sem tréguas, enchiam a pança até à exaustão. O hospedeiro que se lixasse como, aliás, aconteceu. A vizinha, cuja passividade face às pilhagens me fazia crer num pacto silencioso com as ratazanas, decidiu à última da hora ceifar a macieira por entender que "só servia para criar ratos". Assisti ao corte da árvore da mesma maneira que assistira outras vezes às suas belíssimas florações de março e às insaciáveis depredações de setembro. Assisti a tudo, dizia eu, da janela do meu quarto, donde, insisto, aprendi a odiar os ratos e, por arrastamento, tudo o que evoque comportamento de rato. É talvez por isso que tenho andado azeda desde que vieram a público as primeiras notícias sobre o famigerado buraco nas contas públicas da Região. O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Para mim, tudo. Sinto-me, de novo, na janela do meu quarto a testemunhar nova invasão de ratos ou, melhor, nova deserção de ratos - esqueci-me de referir que, aviada a macieira, os três ratos partiram para outra pois nunca mais os vi no quintal da vizinha - desta feita, prossigo, uma deserção em massa e sob os mais diversos pretextos. E o pior, diga-se em defesa da verdade, é que nem sequer consigo perceber quem é a macieira no meio desta confusão. A Madeira? Não me parece, pois há mais de 30 anos que, de forma inequívoca e democrata, sustenta o Poder instituído. O Governo Central? Nem pensar, porque, independentemente da sua orientação política, nunca ousou enfrentar, com seriedade e rigor, a governação insular, evitando, dentro de uma lógica de estratégia política, confrontos de maior. A Europa? Também não acho, já que, perante a crise internacional e a hipotética dissolução do sonho europeu, a Madeira nem existe. É, de facto, difícil encontrar a macieira neste pomar de silêncios constrangedores e de falsos inocentes, onde, mais uma vez, se confirma essa particularidade do ser português que é a incapacidade para assumir, com dignidade, os erros. É por isso que há mais de uma semana que só se veem ratos por aí. Alguns a arranjar visto de residência no Brasil, outros a gozar férias prolongadas com regresso incerto, outros a decidir mudar de vida na ternura dos 60, outros ainda - os mais modestos - a fingirem grande assombro e indignação face à escalada de acontecimentos dos últimos dias. Todos, sem exceção, membros de uma casta que soube tirar rendimentos da bem-aventurança que por aqui passou e que, agora, em tempo de prestar contas, prepara saídas, caso a coisa descambe ainda mais.

No meio deste descalabro vergonhoso, não consigo deixar de sentir alguma pena daqueles que ficam e têm de dar a cara, tornando-se, como é óbvio, num alvo fácil. Esses rodearam-se de ratos, esquecendo que, em hora de naufrágio, as ratazanas são as primeiras a abandonar o barco. Isto, claro está, se houver naufrágio."

 

In Diário de Notícias da Madeira.

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13
Out 11
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Insanas é uma antologia escrita somente por mãos femininas. Mas não se engane, pois aqui não terá espaço para textos sublimes, chick lit, conjecturas sobre o universo feminino e nem saudades da vovozinha que se foi. Aqui... Elas matam!

A antologia Insanas tirou dessas mulheres o que elas têm de mais cruel de dentro delas. Nem nos piores dias de TPM da sua namorada ou esposa você poderia imaginar tanta violência, descontrole e sadismo.

 

Prefácio: Ana Cristina Rodrigues
Autora Convidada: Suzy M. Hekamiah
Apresentando: Celly Borges e Carolina Mancini

Autoras: Alícia Azevedo, Alma Kazur, Bruna Caroline, Débora Moraes, Georgette Silen, Gisele G. Garcia, Laila Ribeiro, Laris Neal, Natália Couto Azevedo, Roberta Nunes, Sandra Franzoso, Tatiana Ruiz.

 

Textos recheados de crueldade, tortura, sangue, terror, sexo, sadismo, traição, ambição extrema, morte e muito mais. Tudo fruto dessas mentes cruéis. Elas produziram as mais insanas escritas e mostraram do que são capazes. Sexo frágil? Não... Elas podem ser cruéis quando querem.

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05
Out 11
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Hoje em dia, até a avozinha tem um blog. A internet está povoada de blogs: os que nos fazem rir, os que nos fazem chorar, os que nos irritam, os que só servem para falar mal, os que apenas mostram o look do dia, os que estão cheios de erros ortográficos, os que exibem uma vida muito boa (e falsa), os que mostram uma vida terrivelmente triste (e falsa), os que se julgam a última coca-cola do deserto. E depois há aqueles - os que realmente valem a pena. Deixo aqui alguns.

 

Café de Ontem:Jr. Cazeri faz resenhas das boas, sem palmadinhas nas costas. Transcrevo o que o próprio autor escreveu no blog. "O Café de Ontem é um blog sobre literatura fantástica e, ocasionalmente, de cinema e TV. A intenção é resenhar tanto os lançamentos, na coluna Livros da Semana, como também as boas e velhas leituras, na seção Sebo. Esse é um espaço pessoal, portanto, opiniões vão aparecer. Se você discordar de algo, fique a vontade para comentar, tenho certeza que podemos manter um diálogo saudável e interessante sobre nossos livros favoritos. Se discorda totalmente e não quer conversar, tudo bem. É só não voltar mais e o assunto tá encerrado. Passe bem e obrigado. Meus contos, crônicas e tirinhas também vão dar as caras de vez em quando. Não tenho pretensão alguma com isso, só escrevo para me divertir e acho essa atividade estimulante por si própria, mas, se você gostar, melhor ainda, se não gostar, comente deixando sugestões. É isso mesmo, critique impiedosamente. Eu agradeço."

 

Mundo de Fantas no mundo dos livros: Celly Borges é imparcial nas ótimas resenhas que faz. Um blog de promoções, dicas de livros, divulgação de autores nacionais brasileiros e muita informação literária.

 

Blog da Patrícia Reis: Escritora, já aqui entrevistada, que, quase diariamente, nos presenteia com palavras bonitas. Para quem gosta de ler, apenas.

 

Cidade Phantástica: Um blog sobre a cultura SteamPunk. Tudo o que sei, aprendi por lá. E quando quem nos ensina escreve maravilhosamente bem, aprender torna-se uma tarefa muito agradável.

 

Pára de olhar para mim: João Biscaia é uma das pessoas mais talentosas que já conheci. Ali encontram contos e poesias escritas com garra e sem a patetice do politicamente correto.

 

I am, I said: Pensamentos e sentimentos expostos de uma forma deliciosa. Só tenho pena que o autor não escreva mais vezes. 

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29
Set 11
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E chegamos ao fim destas valiosas aulas *.* Mas não se preocupem: Carolina Bernardes escreve mensalmente para a Revista Benfazeja. É só continuarem a seguir por lá. Espero que tenham gostado. O meu muito obrigada à Carolina por permitir emprestar à nossa Biblioteca tão ricas dicas.

 

 

"Razões da Literatura: por que escreve o escritor?

 


Para Mário Quintana, escrever é uma maneira de ser. Para o escritor grego Nikos Kazantzakis, é a libertação de sua escuridão interior. Para Cecília Meireles, a escrita “aproxima as distâncias, se compreendem as criaturas, e os povos se comunicam as suas dores e alegrias sempre semelhantes”.

É evidente que as possibilidades de definição se mostram amplas e intermináveis. Cada autor, em seu tempo e em sua subjetividade, manifesta a sua relação mais do que pessoal com o veículo de sua expressão, pois seu conceito de escrita se vincula à força que o move à prática de escavação e revelação (do outro e de si). Nós, que igualmente escrevemos, da maneira que somos, em nosso tempo e lugar, podemos dialogar com as referidas visões do fazer literário. Podemos nos identificar com uma ou outra, com parte desta ou daquela e, assim, arriscar a formulação de nossa própria maneira de ser escritor. Esse nosso jeito de escrever pode ser tão igual ou tão diferente dos outros. Pode ser único ou uma repetição de padrões antigos. Pode não ser uma cópia de ninguém, e mesmo assim igual, porque as idéias circulam em todos os cantos redondos do mundo. Posso sentir o mesmo que o outro e encontrar uma maneira diferente de expressar. Não é isso que faz do não-literário tornar-se literário? Uma forma diferente de dizer o mesmo? Se assim não fosse, o amor seria um tema ultrapassado...

Neste artigo, convido o leitor/autor a refletir sobre a sua relação com o texto, com a criação, com o leitor e com a sua auto-imagem de autor. Apresento algumas avaliações teóricas que têm sido feitas da literatura.

Na filosofia platônica, a literatura é entendida como imitação ou cópia imperfeita da realidade. Mas se Platão condena a Poesia como modo inadequado de alcançar a verdade (diferentemente da filosofia, que seria superior à poesia), Aristóteles considera-a instrumento válido de conhecimento, pois “o poeta cria um mundo coerente em que os acontecimentos são representados na sua universalidade (...). O conhecimento assim proposto pela obra literária atua depois no real”. (AGUIAR E SILVA, p.107)

Com o Romantismo, a Literatura como conhecimento retoma seu significado e o poeta passa a ser o vidente que alcança e interpreta o desconhecido. Para entender melhor o ideal do poeta como vidente, é interessante ler os franceses Rimbaud e Lautréamont e o inglês Coleridge. Nesses poetas, o poema é a “revelação das profundezas vertiginosas do eu e dos segredos da supra-realidade, como instrumento de perquisição psicológica e cósmica.” (Idem, p.108) A escrita automática, que será resgatada pelos surrealistas no século XX, é a mensagem que traduz o mistério cósmico. (psicografia?)

Para além do conhecimento sobrenatural, a literatura pode ser entendida como o conhecimento deste mundo terreno, um instrumento de análise do homem e de suas relações com o mundo. Sófocles, Shakespeare, Cervantes, Dostoievski, Kafka e Machado de Assis são representantes dessa tendência de apreensão do homem e do mundo pelo literário.

Há quem queira, porém, escapar para o mundo imaginário, tão distante do real, tão mais próximo de seus sonhos. Variadas são as razões que levam o autor a encontrar na literatura o seu instrumento de evasão: conflito com a sociedade; conflitos íntimos; recusa da finitude e imperfeição do mundo real. Fugindo para o mundo imaginado, o autor se esquece da realidade e faz da arte a sua religião.

Certamente, a literatura como fuga para um mundo idealizado é verdadeira fonte de prazer para o autor que se dói da condição humana. Esse efeito de prazer é outra maneira de entender a literatura. Sem se afastar do mundo real, o autor cria uma obra que provoca emoções de toda ordem no leitor, do terror à compaixão. Ao se identificar com o destino dos personagens, o leitor expurga suas próprias emoções, vivenciando o que se chama o efeito catártico. “Desta higiene homeopática da alma resulta um prazer superior e benfazejo”. (Idem, p.113) Experimentamos a catarse quando nos debulhamos em lágrimas ao assistir um filme, quando torcemos para o time predileto no campo, em final de campeonato, no show musical daquela banda que ouvimos no quarto um milhão de vezes. Lavamos a alma: a expressão mais correta para o efeito que esses acontecimentos geram em nós.

Mas se a literatura é uma imitação (mimese) imperfeita, uma fuga para a torre de marfim, ou o conhecimento dos homens e do mundo, seria uma arte inócua e inútil? Chegamos, enfim, ao autor que usa a literatura como meio de transformação do real. A literatura engajada ou compromissada tem seus fundamentos na filosofia existencialista, com Heidegger e Jean-Paul Sartre. Para o primeiro, o homem não é pura passividade, recolhendo dados do mundo, mas um “estar-no-mundo”, presença ativa, fundadora do mundo. Dessa maneira, o autor teria o compromisso de escrever para agir no mundo, postura literária que se encontra bem definida em O que é a literatura? de Sartre.

Seja como representação da realidade, criação de outro mundo, prazer estético, desvendamento, purificação, expressão da interioridade, o processo de escrita criativa é uma maneira de ser. O autor é o seu próprio texto, assim como é o mundo em que vive. O convite lançado no começo do artigo permanece. Sabendo que somos uma parte de uma rede de significações muito maior, e que a nossa criação é uma contribuição para a ordenação do mundo em que vivemos, gostaria de conhecer a sua maneira de escrever. Como você leitor/autor confere ordem ao manancial de idéias captadas no ar?



Bibliografia consultada
AGUIAR E SILVA, Vitor Manuel de. Teoria da literatura. São Paulo: Martins Fontes, 1976. 1ª ed. Brasileira."

 

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Natural de Ribeirão Preto (SP), em 24 de março de 1976, graduou-se em Letras pelo Centro Universitário Barão de Mauá (1999). É Especialista em “Fundamentos da Leitura crítica da Literatura” (2001) pela UNESP, com monografia sobre a obra Zorba, o grego de Nikos Kazantzakis. Mestre em Estudos Literários (2004) pela UNESP (Araraquara), com dissertação intitulada Multidiscursividade em Ascese Os Salvadores de Deus de Nikos Kazantzakis. Doutora em Letras (Teoria da Literatura), pela UNESP (São José do Rio Preto), defendeu a tese (2010) A Odisséia de Nikos Kazantzakis: epopéia moderna do heroísmo trágico, que está em processo de publicação no Brasil e no Chile.
Publicou artigos em revistas acadêmicas de literatura e participou de diversos congressos no Brasil. Esteve no Chile (Universidad de Chile) em 2007 e em 2010, como conferencista, e, em 2009, como professora convidada para ministrar seminário sobre a obra de Nikos Kazantzakis. Também como conferencista convidada, esteve em Buenos Aires em 2010.
Atua como professora universitária de Literatura em cursos de Letras e coordena oficinas de Escrita Criativa e de formação de escritores. Publicou, em 2003, o livro de contos O Centauro Amarelo, como produção artesanal (feita em casa e pelas mãos da autora). Em 2008, a técnica da edição artesanal é, mais uma vez, utilizada em A Claridéia de Percival, romance infanto-juvenil, com ilustrações de Bianca Bloom (filha da autora). O livro infantil Flauis foi premiado em 2009, no concurso literário “Grandes Empresas na Literatura”, realizado pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e pela Fundação Instituto do Livro. O prêmio outorgado foi a publicação gráfica da obra, em 2010.
No momento, dedica-se ao blog Retalhos e Epopeias e à escrita de seu primeiro romance.
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28
Set 11
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"Autor: o artesão do engano.

 

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor,
A dor que deveras sente.
(Fernando Pessoa)

 

Aparentemente, soa senso-comum iniciar este artigo com o famoso poema de Fernando Pessoa, recitado e repetido em todos os círculos literários, saraus e análises críticas, ao ponto de tornar-se quase hino, epitáfio ou mantra de poetas, como o velho verso “O amor é fogo que arde sem se ver” do mestre Camões. É evidente, porém, que não tenho a intenção, no presente artigo, de apresentar o poema de Pessoa, como se poucos leitores o conhecessem. Que todos o conhecem é ponto pacífico. Interessa-me pensar o uso que se pode fazer do verso “O poeta é um fingidor”.

Uma tendência que se repete entre diversos escritores contemporâneos é a que torna a literatura um meio de expressão da interioridade. Isso significa que os poemas e as narrativas são escritos como relatos ou confissões de experiências pessoais, como maneira de dar vazão aos sentimentos e pensamentos mais íntimos. Essa tendência tem parentesco com o Romantismo, movimento artístico que buscava a expressão autêntica, a escrita espontânea, liberta dos artifícios da razão. Os poetas românticos acreditavam que somente pela livre expressão do Eu, o poema alcançaria a profundidade, a elevação, a espiritualidade e o conhecimento de realidades supra-sensoriais. É o que reconhecemos como poeta inspirado ou gênio poético, aquele que escreve guiado por uma força maior e que o (re)liga ao Absoluto.

Inseparáveis do tom confessional e, sob o pressuposto da inspiração, da tendência ao espontaneísmo, que sobredeterminaram a lírica na fase romântica, tais funções pedagógica, terapêutica, mágica, divinatória, encantatória, que o poeta, misto de cantor e de vate, assume, na medida em que exprime a originalidade de sua vida interior, acompanham o fenômeno de universalização e de autonomização da poesia que o Romantismo desencadeou. (NUNES, 1993, p. 62)


Chamo a atenção para a função terapêutica mencionada no fragmento de Benedito Nunes. Centrar o poema/narrativa na revelação da intimidade é o mesmo que atribuir à Literatura o fim utilitário da terapia psicanalítica. Muitos indivíduos se servem da palavra para libertar-se de neuroses, medos, fracassos; para conquistar a pessoa amada (não é a toa que pelos bares de cidades grandes são vendidos cartões com versos impressos); para escancarar ao mundo a “sua verdade”; para firmar uma identidade perdida. A Literatura seria, assim, um divã de psicanalista?

Toda arte que se mantém no pólo da emoção tende a manifestar a visão subjetiva e, portanto, parcial que o indivíduo tem sobre a vida, o mundo e os homens. Esta é a arte que denega a repressão e ergue a bandeira da liberdade como bem maior. No entanto, esta liberdade que os autores defendem se firma muito mais por uma atitude egoísta do que pelo relacionamento afetivo com os outros. Por esta vertente, quem escreve é sempre um Eu confessional e o tema de suas escritas gira sempre em torno de suas emoções, reações, experiências, vivências, avaliações. Excessiva vaidade?

É preciso entender que o (des)conhecimento de si não se encontra na exploração da própria interioridade, mas leva ao OUTRO desconhecido. É com o olhar do estrangeiro, do viajante que atravessa fronteiras, perscrutando o diferente, o distante, o que já não é o mesmo, que o autor poderá traduzir as dúvidas que motivaram a sua busca. É pelo OUTRO que nos conhecemos verdadeiramente, pois a vida é pautada em relações.

Muitos foram os avanços do movimento literário e os estudos sobre ele depois do Romantismo. Hoje sabemos que não é possível apreender o mundo por uma única corrente filosófica, histórica, artística, religiosa, política... A modernidade trouxe a descoberta de que a sociedade se baseia em contrastes, na proliferação de ideias e de conceitos, que não podem ser confinados na unidade do Eu romântico. Ao contrário, esses novos princípios necessitam viver em profusão.

O homem moderno e o contemporâneo se veem rodeados de possibilidades estéticas e de caminhos para organizar e dar sentido à vida. Os inúmeros e fragmentários caminhos da modernidade impulsionaram novas formas de expressão e de compreensão do mundo.

Mas como compreender e representar este mundo em incessante transformação, repleto de conflitos e antagonismos? É evidente que o Eu romântico, centrado em suas confissões, não poderia abarcar tamanha multiplicidade. Para representar este mundo, é necessário abrir-se para a sua amplitude múltipla, diversa, diferente; ou seja, a arte se encontra na alteridade.

Alcançamos, enfim, o legado de Fernando Pessoa. Assumindo a heteronímia, Pessoa foi um poeta de seu tempo e de nosso tempo, pois sabia que era preciso perder-se, desencontrar-se, despersonalizar-se para conquistar uma imagem do universo e resgatá-lo do caos da relatividade (pois tudo é relativo e não absoluto). Ocultando-se, perdendo sua identidade, Pessoa revelava-se. Não só a emoção, pois, é capaz de revelar o mundo sensível; o pensamento, que induz à dispersão, leva o indivíduo à multiplicação, ao Outro, e o conecta com a realidade variegada. Escrever apenas interessado em si mesmo é como ignorar o movimento externo e isolar-se em uma ilha distante e atemporal. Não só este indivíduo se aparta de seu mundo, mas a sua escrita não será apreciada como obra literária. Será simplesmente um diário adolescente.

No artigo anterior, publicado nesta coluna, afirmei que a escrita é um trabalho árduo e se institui pelo intercâmbio entre o que deve ser ensinado por outrem e o que o autor aprende por si mesmo, em um jogo entre inspiração e transpiração. Se, portanto, o autor deve abrir-se ao aprendizado, seja pela relação com o outro, seja pelas descobertas que faz sozinho, seria essencial que o autor em formação se predispusesse a exercícios de escrita. Dificilmente um escritor nasce pronto, com o talento lapidado; vamos sair do divã, vamos lembrar que a autenticidade da Literatura não deve se fixar na figura do autor, mas no jogo de forças do próprio texto, em seu campo de batalha, em que se embatem as oposições e contrastes naturais da vida e do homem. Afirma Harold Bloom (1994, p.14): “um texto poético não é a reunião de signos numa página, mas um campo de batalha psíquico em que lutam forças autênticas pela vitória que vale a pena alcançar, o triunfo divinatório sobre o esquecimento”.

Nenhum ator que se preze faz do personagem em cena uma cópia de si mesmo. Atuar é tornar-se outro, é estar no lugar do outro, é emprestar o corpo para dar a vida de outra alma. Teatro e cinema são ficções e, como a própria palavra já evoca, não são realidade. O ator é simplesmente um fingidor! E o que é o fingidor? É aquele que inventa, imagina, fantasia, que modela na argila, segundo a etimologia; é um produtor de miragens, profissional do engano (findo o espetáculo, o que parecia real perde sua existência). Isso não significa, porém, que o ator é um mentiroso, que trai sua própria essência, pois a mentira pressupõe a verdade e a ilusão se sustenta pela realidade. Não seria este o ofício do autor/poeta? “Servindo-se da ilusão, do engano, da mentira, do exagero, o poeta reconstrói a realidade à sua maneira e, ao reconstruí-la, torna-a inteligível”. (KUJAWSKI, 1979, p.67)

O que se propõe neste artigo é que o autor em formação desafie a si mesmo a realizar exercícios de despersonalização, como um laboratório de oficinas de teatro. Vamos sair desta interioridade a qual estamos acostumados há tanto tempo, vamos nos esvaziar do vocabulário que apenas caracteriza o personagem que somos, vamos abandonar a estrutura de texto confessional, vamos dar férias ao nosso eu e abrir-nos para a descoberta das múltiplas possibilidades de vida. É o momento de observar, de analisar, de entender como a vida se opera no vizinho, no amigo, no desconhecido. O outro observado, sem saber, nos dirá como escrever. E assim, no final do espetáculo e da leitura, quem viverá a catarse será o leitor, que terá suas emoções libertadas, expurgadas e aliviadas. Sem fingimento do autor, a leitura não tem sentido.

Bibliografia consultada
BLOOM, Harold. Poesia e Repressão. O revisionismo de Blake a Stevens. Rio de Janeiro: Imago, 1994.
KUJAWSKI, Gilberto de M. Fernando Pessoa, o Outro. Petrópolis: Editora Vozes, 1979.
NUNES, Benedito. “A Visão Romântica”. In: GUINSBURG, J. (org.). O Romantismo. São Paulo: Perspectiva, 1993."

 

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Natural de Ribeirão Preto (SP), em 24 de março de 1976, graduou-se em Letras pelo Centro Universitário Barão de Mauá (1999). É Especialista em “Fundamentos da Leitura crítica da Literatura” (2001) pela UNESP, com monografia sobre a obra Zorba, o grego de Nikos Kazantzakis. Mestre em Estudos Literários (2004) pela UNESP (Araraquara), com dissertação intitulada Multidiscursividade em Ascese Os Salvadores de Deus de Nikos Kazantzakis. Doutora em Letras (Teoria da Literatura), pela UNESP (São José do Rio Preto), defendeu a tese (2010) A Odisséia de Nikos Kazantzakis: epopéia moderna do heroísmo trágico, que está em processo de publicação no Brasil e no Chile.
Publicou artigos em revistas acadêmicas de literatura e participou de diversos congressos no Brasil. Esteve no Chile (Universidad de Chile) em 2007 e em 2010, como conferencista, e, em 2009, como professora convidada para ministrar seminário sobre a obra de Nikos Kazantzakis. Também como conferencista convidada, esteve em Buenos Aires em 2010.
Atua como professora universitária de Literatura em cursos de Letras e coordena oficinas de Escrita Criativa e de formação de escritores. Publicou, em 2003, o livro de contos O Centauro Amarelo, como produção artesanal (feita em casa e pelas mãos da autora). Em 2008, a técnica da edição artesanal é, mais uma vez, utilizada em A Claridéia de Percival, romance infanto-juvenil, com ilustrações de Bianca Bloom (filha da autora). O livro infantil Flauis foi premiado em 2009, no concurso literário “Grandes Empresas na Literatura”, realizado pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e pela Fundação Instituto do Livro. O prêmio outorgado foi a publicação gráfica da obra, em 2010.
No momento, dedica-se ao blog Retalhos e Epopeias e à escrita de seu primeiro romance.
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27
Set 11
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Leitores da Biblioteca, hoje o assunto é muito sério. Ou melhor, hoje, amanhã e depois. Carolina Bernardes é colunista da Revista Benfazeja e doutorada em letras. Os textos que serão publicados estes três dias são, portanto, da sua autoria e retirados, após autorização da escritora, do site da revista. Eu, que vivo e respiro literatura, leio-os com fome de tão bons que são. Aproveitem!

 

 

 

 

"Escrita Criativa: inspiração e transpiração

 

Escrever é, assim, dialogar permanentemente com o discurso formador do indivíduo/coletivo...

 

Gostaria de inaugurar a seção de Escrita Criativa afirmando que talento não é o bastante para se escrever um grande livro e conquistar o apreço da crítica. Mais do que se fiar no dom ou vocação, é essencial aceitar que não se aprende tudo sozinho e por magia. Não quero com isso desmerecer a qualidade literária daqueles textos que parecem brotar de um lampejo único e inadiável, nem tampouco o conhecimento do autor. Também não é meu propósito defender a necessidade de formação em Letras, pós-graduação e pós-doutorado (todos os pós que existirem) nos diversos Estudos Literários para se produzir um texto respeitável. Muitos dos grandes autores não precisaram de escola alguma. O que afirmo é o seguinte: talento é imprescindível, mas sem trabalho árduo não se produz nada.

Assim como tocar qualquer instrumento musical, desenhar, dançar ou até mesmo dirigir um filme, escrever necessita de certo aprendizado e de ajuda. Aprendemos a escrever com a prática, com a repetição de tentativas e erros, com o sucesso e o deslize; em uma palavra: com a persistência. Mas esta prática que, no imaginário popular, isola o autor em seu escritório com vista para uma paisagem idílica, não é tão solitária. Obviamente exige seu momento de concentração e introspecção (como qualquer labor criativo), mas é intrinsecamente uma ação coletiva. De que maneira?

Nenhuma escrita nasce do vazio. As idéias surgem da relação que todos mantemos com o mundo exterior, das trocas incessantes entre o eu e o outro. Ainda que a intenção do autor seja escrever sobre uma experiência íntima, sobre um aspecto de seus sentimentos e sensações, certamente essa experiência terá sido constituída em relação ao mundo de fora. Ninguém sente sozinho, ninguém forma uma opinião sobre sua própria subjetividade sem o outro como parâmetro. As idéias surgem também do que fica em nós das coisas que apanhamos no dia-a-dia: uma frase dita por alguém, um rosto visto na rua, um filme, a leitura de livro. Todos esses exemplos têm em comum a existência de um outro. Portanto, a escrita literária se caracteriza pela interrelação contínua.

É ingenuidade não levar em consideração que vivemos em um mundo formado pela linguagem e pela cultura; nascemos em um mundo pronto e organizado – padrões, língua, significação das palavras, cultura, hábitos sociais, discursos sedimentados que formam a nossa visão de mundo. Esses elementos formadores do sujeito nada têm de individuais, porque são a formação do coletivo. Muitas vezes, o texto se escreve sozinho. Você já deve ter vivido a experiência de escrever um texto (ou partes dele) e ser surpreendido pela sensação de que não foi escrito por você, ou de não reconhecer sua identidade literária (estilo) naquela reunião de frases. Fica a pergunta: “Será que escrevi mesmo este texto?” Nesses momentos, em que o texto se torna irreconhecível, a escrita, a linguagem e a formação cultural ultrapassam as intenções do autor. As forças do inconsciente, do coletivo, atuam no processo de escrita; pois o sujeito não é apenas o que escolhe ser (e, portanto, escrever), mas principalmente o que o mundo fez dele. A escritura se organiza pela composição das escolhas do autor – os procedimentos intencionais – e das linhas de força inconscientes que ele carrega como bagagem.

Escrever é, assim, dialogar permanentemente com o discurso formador do indivíduo/coletivo, em movimento dialético: da leitura para a escrita e da escrita para a leitura. Se a leitura de autores preferidos pode constituir e formar o horizonte de expectativas e a bagagem do indivíduo, levando-o a compor seu próprio estilo como autor, o texto produzido por esse mesmo autor estabelece um diálogo com as leituras precedentes e inaugura nova comunicação com o leitor futuro (que também faz parte do discurso coletivo). Portanto, nenhum escritor é autosuficiente, independente e original; ele simplesmente está inserido na cadeia interdependente de todos os seres, que perpetua o jogo de retomadas, repetições, revisões e reavaliações de significados.

Retomo agora a questão da escrita como trabalho árduo. Se o autor não aprende sozinho e por magia, e se a escrita se realiza pelo intercâmbio entre o conhecimento do indivíduo e a formação coletiva, não se produz um texto por inspiração, como se o autor fosse um ser especial, iluminado, eleito de Deus ou aquele que tem o dom de lançar a ponte entre o mundo natural e o sobrenatural. Sim, há a porção inconsciente que atua no processo, há as idéias que surgem como lampejo sem serem perseguidas, há o momento epifânico, a iluminação perfeita. É evidente que sim, mas e depois? Como escrever? Como se desencadeia o espírito criativo? Como usar os lampejos? Como tornar o mundo abstrato, situado na mente, em algo palpável, concreto e reconhecível pela linguagem? Não é o drama de todo autor? Seria, portanto, demérito necessitar de alguém que o auxilie nesse trânsito entre o amorfo e o texto organizado e coeso? Entre a idéia e o livro nas mãos do leitor?

A inspiração se configura pelo entusiasmo criador, pelo surgimento espontâneo da criatividade e da vontade de expressar. Mas, para tornar-se ato, para revelar o que é ainda (e apenas) o ímpeto em potencial, é necessário o veículo da manifestação, ou seja, transpirar. Trans- significa “através de”; é, portanto, o veículo da expressão, da revelação; é o deixar surgir, propagar, divulgar, manifestar. É preciso suar para fazer nascer a idéia especial, lavrada na mente. O movimento é análogo ao da respiração: inalar e exalar. O autor enche-se de hálito, de sopro, de ar criativo, fecundando uma nova idéia, e em seguida, lança o engendro de si, devolve-o à atmosfera da criação.

O trabalho é, evidentemente, árduo e duas ações o tornam possível: persistência e aceitação de que a escrita é também intercâmbio entre o que o deve ser ensinado e o que autor aprende por si mesmo. Inspiração e transpiração.
 

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Natural de Ribeirão Preto (SP), em 24 de março de 1976, graduou-se em Letras pelo Centro Universitário Barão de Mauá (1999). É Especialista em “Fundamentos da Leitura crítica da Literatura” (2001) pela UNESP, com monografia sobre a obra Zorba, o grego de Nikos Kazantzakis. Mestre em Estudos Literários (2004) pela UNESP (Araraquara), com dissertação intitulada Multidiscursividade em Ascese Os Salvadores de Deus de Nikos Kazantzakis. Doutora em Letras (Teoria da Literatura), pela UNESP (São José do Rio Preto), defendeu a tese (2010) A Odisséia de Nikos Kazantzakis: epopéia moderna do heroísmo trágico, que está em processo de publicação no Brasil e no Chile.
Publicou artigos em revistas acadêmicas de literatura e participou de diversos congressos no Brasil. Esteve no Chile (Universidad de Chile) em 2007 e em 2010, como conferencista, e, em 2009, como professora convidada para ministrar seminário sobre a obra de Nikos Kazantzakis. Também como conferencista convidada, esteve em Buenos Aires em 2010.
Atua como professora universitária de Literatura em cursos de Letras e coordena oficinas de Escrita Criativa e de formação de escritores. Publicou, em 2003, o livro de contos O Centauro Amarelo, como produção artesanal (feita em casa e pelas mãos da autora). Em 2008, a técnica da edição artesanal é, mais uma vez, utilizada em A Claridéia de Percival, romance infanto-juvenil, com ilustrações de Bianca Bloom (filha da autora). O livro infantil Flauis foi premiado em 2009, no concurso literário “Grandes Empresas na Literatura”, realizado pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e pela Fundação Instituto do Livro. O prêmio outorgado foi a publicação gráfica da obra, em 2010.
No momento, dedica-se ao blog Retalhos e Epopeias e à escrita de seu primeiro romance.
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21
Set 11
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Sinopse: No universo de um estabelecimento prisional, seis detidos integram um grupo de reinserção social orientado por uma jovem psicóloga. Em comum, o facto de terem cometido homícidio por amor e de não apresentarem qualquer tipo de arrependimento. O romance desenvolve-se numa sequência de episódios, que vai revelando o carácter e as motivações que levaram aquelas seis pessoas a matar: um pai, médico, que acaba com a vida da filha por não conseguir resgatá-la à toxicodepêndencia; uma namorada completamente apaixonada, que mata o companheiro por este recusar o filho que carrega no ventre; uma mãe extremosa que assassina a nora por achar que esta maltrata o filho; um pragmático homem de negócios que mata à queima-roupa o ex-companheiro da maquiavélica namorada; uma mulher sofisticada que não hesita em por termo à vida da sua melhor amiga por esta preterir o fulgor a que estava destinada em favor de um vulgar capricho e, finalmente, um rapaz acusado injustamente da morte do seu próprio irmão.
A ligar estas personalidades fantásticas, a Psicóloga do Estabelecimento Prisional que, de mal com a sua realidade afectiva, perde-seno enredo das vidas daquele grupo de reclusos, nutrindo por eles um misto de admiração e repudio.
Um romance de afectos em que todas as personagens envolvidas revelam o quão sinuoso pode ser o caminho do amor.
No final, uma interpelação a um preconceito social: UM HOMICIDA É NECESSARIAMENTE UM CRIMINOSO?

 

Autor: Catarina Resende
Editora: Exodus
Páginas: 312
ISBN: 9789898048141

Preço: 17,90

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07
Set 11
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Sinopse: Conheça os bastidores da investigação criminal pela mão de uma das maiores Profilers da actualidade. Saiba como traça os perfis dos criminosos e como ajuda a resolver até os casos mais complicados.

Pat Brown é uma das poucas mulheres profilers no universo criminal. O seu trabalho de investigação com a polícia e com as famílias das vítimas passa por analisar elementos físicos e comportamentais para determinar quem cometeu os crimes. Na sua longa carreira, colaborou em casos aparentemente sem solução que, graças à sua perspicácia e trabalho científico, conheceram um desfecho diferente. Em Profiler, Pat Brown conta aos leitores alguns dos casos mais fascinantes e misteriosos que investigou, revelando os bastidores dos crimes, os perfis das vítimas e os inesperados retratos psicológicos dos assassinos.

 

Autor Pat Brown
Editora Guerra & Paz
Data de Lançamento Abril 2011
ISBN 9789897020186
Dimensões 15 x 23 cm
Nº Páginas 320

 

17,90 na Bertrand. Eu babo-me de cada vez que o vejo na minha estante *.*

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31
Ago 11
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"A esperança numa nova ordem internacional pacífica, depois do fim da Guerra Fria, foi desfeita por duas realidades: as grandes potências estão de novo em competição pelo respeito e influência. Os estados-nação continuam tão fortes como sempre, tal como as velhas forças explosivas do nacionalismo ambicioso. O mundo matem-se «unipolar», mas a competição entre Estados Unidos, Rússia, China, Europa, Japão, Índia e Irão levanta novas ameaças de conflitos regionais. O comunismo está morto, mas uma nova disputa entre o liberalismo ocidental e as grandes autocracias orientais da Rússia e da China voltou a injectar ideologia na geopolítica. Alguns fundamentalistas islâmicos estão a desenvolver um combate violento contra culturas que, do ponto de vista deles, dominaram, penetraram e poluíram o seu mundo islâmico. Demonstrou-se estar errada a grande expectativa de que, a pós a Guerra Fria, o mundo iria entrar numa era de convergência geopolítica internacional.
Em O Regresso da História e o Fim dos Sonhos, Robert Kagan coloca magistralmente as questões mais importantes que os países democráticos liberais enfrentam, desafiando-os a escolherem se querem moldar a história ou deixar que outros a moldem em sua substituição."

 

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 160
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724618661
Preço: € 4,90 (Wook) - comprei por € 7 numa suposta promoção da Bertrand -.-
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24
Ago 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

Ler é fundamental para qualquer pessoa. Para além de entreter, abre horizontes, enriquece o nosso vocabulário, aumenta a nossa cultura geral e coloca-nos diante de situações que até podem mudar a nossa vida. Sim, pessoas desatentas e pouco interessadas na leitura: um livro faz isso tudo. Para quem escreve, ler é tão importante quanto praticar a escrita até porque, enquanto se lê, abre-se para nós um mundo novo de narrativas, de figuras de estilo, de géneros literários. Ler o quê?, perguntam. Tudo. Tudo mesmo: desde os grandes clássicos, aos comerciais, aos que ninguém conhece, aos que são detestados, aos que são amados e você não entende muito bem porquê, aos que escrevem bem, aos que escrevem não tão bem, aos que escrevem mal - porque não? Assim, aprende com os erros dele - aos que escrevem sobre o amor, aos que só escrevem sangue, tripas e dentes afiados, aos que filosofam a cada cinco linhas, aos que vos parecem ocos e sem sal, aos que vos cortam a alma com as palavras, aos que elaboram ideias tão boas que você desejaria serem suas. Leiam! E enquanto o fazem, apontem as frases que mais vos tocam, que acharem bonitas e com sentido; frases que pelos jogos de sons, vocês gostam de lê-las em voz alta; frases que são um livro inteiro; ou palavras, também podem ser palavras - gordas, gigantes, onde cabe um mundo: vá, apontem num caderninho isso tudo. Quando acabarem essa obra e tiverem uma lista, façam um teste a vocês mesmos e elaborem um texto com essas mesmas frases e palavras. Um texto só para vocês, claro, que as frases não são vossas. Mas treinem com as expressões dos outros, brinquem um pouco, sozinhos, com o caderno. Usem-nas num contexto diferente: se as tiraram de um livro de fantasia; criem agora uma cena de amor bem real - com essas frases e essas palavras. Este exercício é tão bom porque nos torna maleáveis do ponto de vista narrativo. Eu faço isso muitas vezes. E adoro! Experimentem. Talvez vos surpreenda. É que escrever também passa por estes jogos de faz-de-conta; de experiências e desafios; de aventuras. Tenho para mim que escrever é juntar num só verbo, todas as ações do viver.

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Contacto: paraisobiblioteca@sapo.pt | Twitter: @ValentinaSFerr
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