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09
Jun 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

 

Fetiche é um policial que enche as medidas. Confesso que o comprei pelo nome e não me desiludi. Escrito por Tara Moss, uma ex-modelo internacional, é um livro que mata - literalmente - qualquer preconceito que, à partida, temos para com as modelos. Makedde, a personagem principal, é bonita, desfila em passerelles de todo o mundo e, atenção, é estudante de Psicologia Forense. Certo dia, numa tentativa de dar um novo fôlego à sua carreira e encontrar a sua melhor amiga, Makedde decide voltar a Sidney. Quando chega, e durante uma sessão de fotografias, encontra a amiga morta. As cenas foram descritas como mandam os manuais de policiais: conseguimos visualizar nitidamente cada contorno da ação. Aos poucos, Makedde apercebe-se estar diante de um assassino em série, fascinado por saltos altos, e que ela é a sua próxima vítima. Decidida a encontrar o tarado, a modelo conta com a ajuda de Andy Flynn, um detective pelo qual, aos poucos, começa a apaixonar-se. E, embora haja um pouco de romance no ar, Tara Moss não esqueceu a essência do livro e não entra em detalhes demasiado amorosos. A história continua centrada no fetiche doentio do perseguidor, cheio de (belas) descrições macabras das cenas e dos pensamentos sujos da cabeça do assassino. E o fim? Leiam vocês próprios...

Para quem gosta de ação, mistério e serial killers, aqui têm um ótimo livro de fim-de-semana. Preparem-se para entrar no mundo perverso da perseguição, da tortura e do homicídio.

Mas cuidado, meninas. Não o leiam usando stilettos pois...ele pode estar a vigiar-vos. Muahahahah!

 

Nota: 7 saltos altos.

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02
Jun 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar | ver comentários (1)

 

Antologia Lugares Distantes

 

 

Pensei muito antes de fazer esta resenha. Primeiro porque eu entro na antologia; segundo porque não sei se será certo criticar (construtivamente) o trabalho dos meus colegas. Mas, como eu também gosto de saber a opinião - boa ou má - dos meus textos, decidi resenhar a obra.

Bom, para começar, a antologia, organizada por Daniel Calvacante e Jonayhan Cordeiro Cavava, está com uma imagem bonita: a capa é apelativa, os contos estão bem organizados, o tamanho da letra está ótimo. Porém, há certos erros de paginação, como por exemplo, a separação silábica incorrecta na mudança de parágrafo. Claro que não será isso que vai impedir a leitura e tenho a certeza de que, como primeira antologia organizada pela Infinitum, houve a tentativa de fazer tudo na perfeição.

Agora vamos aos contos. Todos, à sua maneira, estão positivos. Decidi não resenhar alguns porque não chamaram a minha atenção. Com isto não quero dizer que estejam maus. Simplesmente, enquanto leitora, não me atraíram.

 

- O caso da fera de 100 olhos, de Willian Marinho.

A ideia está interessante e o conto bem escrito. No entanto, quando eu estava entusiasmada com a evolução da história, ela acaba. Se tivesse sido mais desenvolvido e detalhado daria um excelente conto.

 

- Não, não era…, de Jonathan Cordeiro Cavaca.

Aqui está um conto que, mesmo pequeno, funcionou muito bem. A história resume-se a um diálogo, o que, na minha opinião, não é muito fácil de fazer e, ainda assim, prender o leitor. A dúvida manteve-se até ao fim e o desfecho foi inesperado.

 

- Gato no muro, de Joe Lima.

Gostei por dois motivos: a originalidade e a capacidade de manter o suspense até ao limite. O último parágrafo diálogo-pensamento-diálogo terminou a história da melhor maneira.

 

- Aprisionada, de Jorge Eduardo Rodrigues Rosa.

Provavelmente foi o conto que mais me interessou. Com uma escrita delicada, boas metáforas e descrições que apelam à sensibilidade do leitor.

 

- A casa, de Jussara Gonzo.

Uma salva de palmas para a imaginação da autora. Confesso que, durante a leitura, dei por mim a perguntar Onde está o terror, o mistério?. Mas, depois, fiquei de boca aberta com o desenlace.

 

- O vampiro da floresta, de Bruno Resende Ramos

Interessante a ideia. Não sou fã de índios mas este conseguiu prender a minha atenção. Apenas um apontamento: ao longo da trama, o autor, certamente na tentativa de querer tornar a história mais real, abusou de vocábulos indígenas o que fazia com que andássemos para trás e para a frente para sabermos as definições. Se calhar, se as “traduções” estivessem no rodapé das próprias páginas esta questão nem se colocaria. Houve alturas em que deixei passar as palavras e não fui ao glossário. Mas, de qualquer forma, o conteúdo está muito bem conseguido.

 

Aos restantes contos darei uma nova leitura. Às vezes não gosto de uma coisa e, mais tarde, o sentimento muda.

 

Para os interessados: Lugares Estranhos.

 

Se houver por aí quem tenha lido o e-book, deixe o seu comentário.

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26
Mai 11
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[A+última+viagem+de+valentina.jpg]

 

Existir um livro com o nosso nome é uma coisa muito chique, não acham? Já o li há algum tempo mas sempre que me pedem uma recomendação de um romance, este é dos primeiros que vêm à cabeça. Reza a sinopse que “Após o final da Segunda Guerra Mundial, um aristocrata excêntrico é assassinado no seu palazzo italiano. Vinte anos mais tarde, este crime por resolver toca a vida de Alba, uma rapariga que vive num barco, em Chelsea, na década de 1960.
Entre estas duas épocas estende-se uma narrativa de amor, decadência e traição que conduz Alba até à costa de Amalfi, ao drama da guerra e à decadência da tragédia. O passado ressurge, revelando uma teia secreta de resistentes e nazis, de camponeses e condes e, no centro de tudo, uma fascinante e misteriosa mulher - a sua mãe.
Alba não irá investigar apenas um homicídio: investiga igualmente uma verdade proibida, e o que descobre no passado é doloroso, mas é a porta para o seu próprio futuro.
De escrita sensual e emotiva, Santa Montefiore apresenta, assim, um intemporal épico recheado de suspense e mistério que conduz o leitor até à aristocrática Londres e à Itália dos anos 40, quando a ascensão nazi singrava pela Europa.”.

Alba condena o pai por este esconder toda a história que envolve o seu romance com a mãe, Valentina, que morreu quando Alba era ainda muito pequena. Após uma juventude de guerra entre ela, o pai e a madrasta, a rapariga vai viver para o barco da família que tem o nome da mãe. Um dia, descobre, debaixo da cama, um retrato de Valentina, desenhado pelo pai. Alba confronta-o, porém, o silêncio dele mantém-se. Então, ela decide viajar até Amalfi - a terra natal da mãe - e descobrir a verdade. Não quero estragar a emoção da leitura, por isso, não vou revelar essas descobertas mas o que a obra nos ensina é que não se deve apontar o dedo a ninguém - principalmente a quem nos cuida e ama - sem antes saber o que está por detrás do véu. Alba louvava Valentina e criticava o pai; no fim, percebeu que a vida - essa grande professora - encobre realidades diferentes que as que os nossos olhos e o nosso coração vêem. A autora, Santa Montefiore, escreve com alma e consegue com que fiquemos apaixonados pelas personagens, independentemente dos seus defeitos, porque elas têm tanta emoção, tanta vida dentro delas que chegam a ser palpáveis.

 

 

Nota: 8 barcos.

 

P.S: a resenha podia estar melhorzinha, confesso, mas se vocês soubessem o trabalho que tenho para as próximas semanas, até rezavam por mim xD Se alguém tiver contos, poemas, crónicas, resenhas ou alguma notícia literária, por favor, não se acanhem. O mail está ali em cima e a Menina da Biblioteca fica muito contente por receber os vossos trabalhos. Inté, minhas Belezas.

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19
Mai 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

 

A sinopse prometia e o livro cumpriu: foi uma viagem à reflexão de como um comportamento pode mudar o destino de várias pessoas. De fácil leitura, cada capítulo retrata a visão de uma das personagens. Rob, James e Silas, depois de uma noite regada a bebida, são seduzidos por Sienna, uma caloira, e vêem-se, os quatro, envolvidos numa orgia. Até aqui parece tratar-se de apenas mais um caso de sexo, porém, os contornos são bem mais perigosos - a orgia foi filmada por um dos participantes e Sienna tem apenas 14 anos, enquanto os três rapazes já são maiores de idade (18 e 19 anos). A cassete chega às mãos do Director da Academia e, embora ele tente esconder o escândalo, o vídeo acaba por aparecer na internet e a comunidade enfrenta o desconforto e a vergonha. A vida dos quatro jovens, das famílias e dos amigos muda tragicamente a partir desse momento.

Não vou referir, com detalhe, que mudanças são essas, pois não quero estragar a leitura a quem queira ler, mas tenho que referir que esta narrativa é um exemplo gritante de como não existem acontecimentos isolados, isto é, uma situação é sempre a consequência de outra. E aqui paramos para pensar nos "e se não tivesse sido assim? e se fosse de outra forma?". Apesar de ser um comportamento questionável - a orgia - creio que não era razão para tanta tempestade e, muito menos, para o fim trágico dos envolvidos: morte, lares desfeitos, o sofrimento intenso provocado pelo sentimento de culpa e casais destruídos. Por vezes, no decorrer da leitura, vi-me frustrada com o puritanismo exagerado que a comunidade usava para apontar o dedo aos protagonistas. E isso me levou a concluir que a sociedade também faz os culpados. Se o caso não tivesse ocorrido num local tão recatado e pacato, provavelmente não teria impacto nenhum e os quatro jovens prosseguiriam as suas vidas como até ali.

 

Nota: 7 testemunhos.

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12
Mai 11
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Queridos Leitores, mais uma quinta-feira, mais uma resenha. O livro de hoje é guloso. Se a minha mãe não me tivesse ensinado boas maneiras, eu teria arrotado e levado as mãos à barriga depois de ler este livro. Fiquei cheia. E, não bastando o apetite voraz que este livro desperta e, ao mesmo tempo, sacia, tem ainda uma pitada de pimenta, que é como quem diz, sexo bem escrito e descrito. As semelhanças com Como Água para Chocolate são evidentes, embora este tenha uma realidade mais palpável. Eu apaixonei-me pela Rosa Fiore, a personagem principal e narradora da história. De uma forma tão genuína, tão simples e tão gulosa, ela conta-nos a sua vida e não esconde nada - nem o que sente, nem o que não sente. Os desejos são expostos na mesa da cozinha, os prazeres são saciados juntamente com uma boa garfada de pasta, os medos são engolidos pelas panelas e o amor flutua no ar, com os aromas da cozinha. No fim, e após tantos tormentos, o leitor suspira e entrega-se à magia que só a culinária consegue proporcionar.

 

 

Pontuação: um delicioso 8. 

 

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05
Mai 11
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 Comprei “As parceiras” há relativamente pouco tempo. Por ser pequeno e tão envolvente li tudo no mesmo dia. Acho que nunca tido lido nada assim: é triste e doce; faz-nos reflectir sobre o nosso próprio percurso.

O livro retrata o medo, a tristeza, a loucura e o fracasso humano de uma forma tão simples mas, ao mesmo tempo, tão intensa que chega a ser doloroso para quem está a ler. A história passa-se em redor de Anelise que, através de retrospecções e indagações existenciais, revela a sua personalidade como consequência do conjunto de acontecimentos do passado e do próprio carácter de cada uma das mulheres que compõe a sua família. É o livro ideal para as mulheres porque aborda assuntos íntimos e reais. É o livro ideal para os homens porque lhes dá a conhecer uma outra face feminina: o matrimónio infeliz e as suas sequelas, a sexualidade, o isolamento e a solidão.

As recordações de Anelise começam na avó Catarina que, aos 14 anos, casou e desenvolveu um terror pelo sexo devido aos arrebatamentos sexuais do marido, procurando fugir à realidade através do isolamento no sótão da casa. Ainda assim, dessa relação resultaram quatro filhas. A mais velha, Beatriz, casou e perdeu o marido após algumas semanas. Isso fê-la esquecer a sua feminilidade e sexualidade, refugiando-se na religião. Dora, outra filha, casou quantas vezes lhe foi possível, não sendo feliz, no entanto, em nenhum dos casamentos. Como artista plástica expressava a sua tristeza nos inúmeros quadros que pintava. Norma, a mãe de Anelise, é retratada de uma forma tão ténue, tão passageira, que nos dá a sensação que a própria personagem principal não conheceu verdadeiramente a mãe. E, finalmente, Sibila, que foi o resultado de uma violação cometida pelo marido de Catarina quando esta estava submersa no seu mundo de loucura. A filha mais nova nasce anã e com trissomia 21.

Na casa em que viveu na sua infância, numa semana de férias, Anelise recorda todos os momentos cruciais do passado e esse distanciamento permite-lhe uma sabedoria maior, uma visão mais concreta dos acontecimentos; permite-lhe encaixar os flashbacks no presente, de uma forma perfeita e nada desproporcionada.

Não vou contar muito mais. Apenas acrescento que o final é apaziguador: Anelise resolve o seu caos interior - os problemas no casamento, a infertilidade - através da aceitação de que a sua própria vida é o reflexo da estrutura da sua família, percebendo que o laço que a une às outras mulheres é bem mais do que físico: é espiritual e profundo.

 

Pontuação: um doce 7.

 

 

 

Depois de ler este livro fui dar um beijo à minha mãe e pensei que, de facto, na minha maneira de ser estão aspectos que marcam a identidade das quatro mulheres que me criaram: as avós, a mãe e a tia. E isso só me deixa feliz. Feliz e orgulhosa.

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28
Abr 11
publicado por paraisobiblioteca, às 09:00link do post | Comentar

 

 

 

 

 

 

Ofereceram-me este livro e eu, devoradora de leituras, olhei para a capa, li o título e o comentário do Independent on Sunday que diz "Faz recordar Stephen King no seu melhor" e não tive dúvidas: este livro é dos bons. Meti-me na cama e li-o de uma assentada só.

A acção desenrola-se em Blackber, na Suécia, que, não fugindo a estereótipos e preconceitos, é retratada como qualquer outra cidade sueca - pelo menos nos livros suecos que tenho lido: um local inóspito, onde o frio e o gelo parecem abafar os sentimentos, com uma sociedade sombria e demasiado formal e relações familiares pesadas e problemáticas. Só por este ponto e, talvez, por não estar habituada à falta de sol e a formalidades excessivas, a narração já mexeu comigo. A personagem principal é Oskar, um rapaz de 12 anos que vive com a mãe e sofre de bulling na escola. E, apesar de ele ser uma criança estranha, com uma imaginação muito fértil e uma atracção bizarra por notícias que envolvam muito sangue e terror, eu senti um carinho tão grande por ele que, nas alturas em que ele era atacado na escola, só me apetecia dar uns valentes tabefes nos agressores. Certo dia, Oskar conhece Eli, uma rapariga diferente das outras, que não estuda, não sai de dia e tem um aspecto muito pouco normal. Juntando estas características aos inúmeros assassinatos que vão ocorrendo na cidade, o leitor logo percebe que Eli não é humana e que é a responsável pelas mortes. E pensam vocês: só isso? Que cliché. Não, queridos leitores, não é só isto. O autor conseguiu fugir a qualquer chavão e criou uma nova criatura (não vou contar o quê porque, senão, perde a graça). O livro aborda assuntos que podem chocar os mais sensíveis: a pedofilia, com descrições bem explícitas; homicídios recheados de sangue; as próprias cenas de bulling; a impassibilidade e insensibilidade da sociedade em relação a essas situações. No entanto, não pense o leitor que o livro é de uma violência gratuita. Pelo contrário. Esses dramas dissolvem-se na excelente escrita do autor e nas cenas comoventes que o preenchem. Em John Ajvide Lindqvist é fácil encontrar uma violência extrema aliada a uma inocência e pureza quase surreais. Parece estranho? Sim, talvez. Difícil é com certeza, mas ele consegue e, com isso, captou a minha atenção do princípio ao fim. As restantes narrativas: a história de Lacke e Virginia e os problemas de Tommy e a mãe, sinceramente, passaram-me um pouco ao lado. Eli, Oskar e Häkan captaram a minha atenção e era quase impossível fugir deles para atender os outros personagens. Aos fãs de literatura fantástica, aconselho vivamente. Aos restantes leitores: se querem sentir as emoções à flor da pele, se gostam de viver a história enquanto a lêem, isto é, chorar, zangar-se e rir-se, leiam este romance. Ele é complexo, perturbador e intenso.

 

Vi o filme e não gostei nem metade do que gostei do livro.

 

Pontuação: um assustador 8.

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Contacto: paraisobiblioteca@sapo.pt | Twitter: @ValentinaSFerr
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